Entra governo e sai governo, Franca continua a enfrentar um dos principais problemas sociais que cresce a cada dia: os moradores de rua. Antes da pandemia, estimava-se que cerca de 400 pessoas viviam nesta situação, mas a realidade agora pode ser bem maior. Com as crises econômica e sanitária que perduram por meses na cidade, ações de monitoramento em todas as regiões são realizadas para identificar essa população.
Ainda que não atenda toda a demanda, a política de Assistência Social oferecida em Franca é padronizada por ações nacionais. A Prefeitura proporciona serviços especializados de atenção para as pessoas em situação de rua e a maior referência é o Centro Pop, que abrange as políticas e serviço institucional de acolhimento para pessoas adultas e famílias.
Logo no início da pandemia, no fim de março, a casa alugada pelo município onde funcionava o Centro Pop foi temporariamente desativada. A ex-secretária de Ação Social Eliete Neves solicitou o encerramento do contrato porque o local não era adequado. “Ela não atende às necessidades do serviço, precisava de muitas reformas e adequações”, disse Eliete.
Desde então, o Centro Pop foi realocado para diversos lugares: Parque Fernando Costa, fundo de assistência da Secretaria de Ação Social e o ginásio Demétrio Soares, no Champagnat. O serviço se manteve no espaço, com vestiários masculino e femininos, chuveiros, sanitários e tanques para lavar roupas. Agora está desativado.
Caio César Silva Souza, de 34 anos, vive nas ruas há mais de 11 anos. Para ele, ao contrário do que muita gente pensa, a maioria das pessoas sem um lar quer uma vida digna. “Tenho vontade de conseguir um emprego fixo, ter a minha própria casa e reestabelecer a minha vida. Só que as coisas não são tão simples. Existem alguns que ficam na rua por vontade. Porém, a maioria, assim como eu, está aqui por problemas familiares”, disse Caio.
Ele usufruía dos serviços do Centro Pop e, apesar de reconhecer os benefícios, pede para que o próximo a administrar a cidade olhe essa assistência com mais atenção. “A gente precisa de um abrigo mais eficiente, também precisamos de mais oportunidades de emprego. Seriam os primeiros passos e que nos ajudariam muito. Acima de tudo, necessitamos da atenção do poder público. De uns anos para cá, o número de moradores de rua aumentou muito e o descaso também”.
Lisandra Aguiar é diretora da Proteção Especial da Secretaria de Ação Social e confirma as boas intenções de muitos moradores de rua. “São pessoas que têm muitas potencialidades, que necessitam de escuta e oportunidades”, disse Lisandra. “Trabalhar com a população de rua é desafiador e gratificante. Os resultados nem sempre são quantitativos, mas sim, qualitativos. É um passo de cada vez, que demanda ações políticas como saúde, educação, habitação, emprego e renda”.
Nas propostas dos candidatos à Prefeitura de Franca, Flávia Lancha (PSD) e Alexandre Ferreira (MDB) firmaram compromisso com a população em situação de rua, prometendo oferecer os melhores serviços possíveis. Nas ruas, centenas de pessoas, assim como Caio, esperam uma mudança e novas oportunidades pelos próximos anos.