As eleições municipais de 2020 não foram nada boas para o atual prefeito de Franca, Gilson de Souza (DEM), que se candidatou para continuar o mandato por mais quatro anos e acabou derrotado no primeiro turno. No entanto, não foi só ele que saiu perdendo neste ano. Entre os candidatos a vereador que eram seus assessores, secretários ou até familiares e, em algum momento, apoiaram seu governo, a maioria também conquistou votação bem aquém do esperado.
Prova disso são os resultados obtidos por Nirley de Souza (PP), irmão do prefeito, que recebeu 1.683 votos e não foi reeleito; Edgar Ajax (DEM), ex-secretário de Educação, com 975 votos; Tony Hill (DEM), líder de governo, que teve 906 votos; Elson Boni (DEM), ex-secretário de Esporte, Arte, Cultura e Lazer, que conseguiu 802 votos; Luiz Carlos Vergara (PP), ex-assessor de Políticas Públicas, que obteve 735 votos; Marlon Centeno (PL), ex-presidente da Feac, escolhido por 587 pessoas; Luis Antonio Cordeiro (PP), ex-assessor do prefeito, que teve 496 votos; e Cristina Vitorino (Republicanos), recém-aliada de Gilson, que obteve 468 votos.
Mas a queda mais significativa foi a do próprio prefeito, que ficou em sexto lugar na corrida pelo Executivo Municipal, com apenas 9.664 votos. No segundo turno das eleições de 2016, Gilson obteve 90.817 votos. É como se, em quatro anos, ele tivesse perdido 9 em cada 10 votos que recebera.
Os candidatos aliados ao prefeito, porém, não “culpam” ou associam suas derrotas com a rejeição da população ao atual governo.
Nirley de Souza, irmão de Gilson de Souza e decano da Câmara dos Vereadores, define a situação como algo natural. “Não posso dizer que tem relação (com a rejeição pelo Gilson). Na verdade, eu creio que não tenha. Às vezes, o povo analisou que era minha hora de sair. Aqueles que gostam de mim votaram a favor. Já os que acharam que era um momento de renovar escolheram outros candidatos.”
A vereadora Cristina Vitorino faz parte do partido que indicou Marlon Rodrigues para vice de Gilson e defendeu decisões do prefeito, principalmente, neste último ano de governo. Ela também não credita sua derrota à impopularidade do democrata. “A população fez as suas escolhas. É o natural. Independente de qualquer coisa, prevaleceu a democracia. Não acredito que o apoio do partido tenha relação com o meu número de votos. Eu respeito as urnas e o desejo do povo.”
Outro vereador que não conseguiu a reeleição e mantém proximidade com o prefeito é Tony Hill. Mesmo tendo entrado na Câmara sendo de um partido de oposição, o radialista se tornou líder do governo e porta-voz de Gilson. Acabou expulso do PSDB, sua antiga legenda, e se filiou ao DEM, de Gilson.
Tony Hill, assim como os outros candidatos ouvidos, não vê relação entre a rejeição da população com o governo e seu resultado. “A política é um jogo onde você entra e pode perder. Isso de ter um bom número de votos em uma eleição e depois perder já aconteceu com vários grandes líderes. É o comum na democracia. Eu não tenho nada que culpar alguém pelo meu resultado.”
Elson Boni, ex-secretário de Esporte, Arte, Cultura e Lazer, e Cordeiro, ex-vereador e ex-assessor do prefeito, se disseram gratos pelas oportunidades que lhes foram dadas por Gilson de Souza e também não o consideram “culpado” por suas derrotas.
Vergara e Edgar Ajax não se pronunciaram sobre relação com Gilson de Souza e o resultado das eleições.
Do lado oposto, dois aliados de Gilson saíram vitoriosos do pleito do último domingo. Foram eleitos vereadores o amigo e ex-assessor do prefeito Marcelo Tidy (DEM), com 1.424 votos, e o também ex-assessor Zezinho Cabeleireiro (PP), que foi escolhido por 2.273 pessoas.