10 de julho de 2026
MANIFESTAÇÃO

Profissionais e beneficiários protestam contra 'desmonte' dos serviços para moradores de rua

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Lucas Faleiros/GCN
Manifestantes protestam em frente à Prefeitura

Trabalhadores dos principais serviços de assistência social da cidade de Franca se reuniram em frente à Prefeitura para protestar contra a atual situação de abandono vivenciada por grande parte da população em situação de rua.

No local, se concentraram, além de vários funcionários – como psicólogos, assistentes e atendentes do Centro Pop, Casa de Passagem, Abrigo Provisório e Consultório na Rua – muitos de seus usuários.

O presidente do Comad (Conselho Municipal de Políticas Públicas Sobre Drogas) e membro do Fórum Permanente da População em Situação de Rua, Túlio Boso Fernandes Santos, afirmou que o objetivo  é protocolar um manifesto contra o "desmonte" sofrido pelas políticas públicas em favor dos moradores de rua.

“Nós reunimos aqui todos os órgãos responsáveis pelos serviços e também as pessoas que usufruem deles. Queremos oficializar nosso manifesto, que pede pela garantia do atendimento a essa população necessitada. Eles não estão recebendo o mínimo. Não têm sequer um banheiro público para satisfazerem suas necessidades. O Centro Pop, por exemplo, está desmanchado e operando sem uma sede oficial, além de ter um baixíssimo número de funcionários. Nós estamos enfrentando problemas até para falar com a secretária da pasta – Eliete Neves. Ela afirma que o problema desse desmonte sofrido pelo Centro Pop não é dela, mas sim da gestão como um todo. Porém, para nós, isso é balela. Se ela não pode fazer nada, quem pode? Tanto ela quanto a gestão têm culpa. Atualmente, no meio desta pandemia, estes serviços estão funcionando como políticas de extermínio”, disse ele.

No manifesto, que os trabalhadores pretendem protocolar na Câmara Municipal e no Ministério Público, é pedido que todos os serviços de assistência social – em especial o Centro Pop – recebam uma maior atenção da Prefeitura. Dentre outras coisas, é afirmado que, “com a ausência da estrutura do Centro Pop, houve uma desorganização da rede de atendimento para a população em situação de rua, o que reflete negativamente nos demais serviços que dependem da referência desta unidade, como o Abrigo Provisório e a Casa de Passagem, que não possuem lugares suficientes para acolher toda a demanda existente”.

Também é reivindicada melhor condição de trabalho para os funcionários dos serviços, que, segundo o documento, estão sofrendo com “a ausência de um espaço digno e em condições salubres, além do descaso e indefinições da gestão municipal quanto a nortear a execução da política pública”.

Após o protesto, o documento feito pelos profissionais da assistência social foi encaminhado para o gabinete do prefeito e também aos seguintes órgãos: Ministério Público, Defensoria Pública, Câmara Legislativa, Secretaria de Ação Social e Conselho de Assistência Social. Até o momento, o manifesto possui mais de 400 assinaturas.

A secretária de Ação Social, Eliete Neves, afirmou que acha o movimento totalmente válido, mas que a situação envolve, sim, um contexto maior e dificultoso. “Os problemas das pessoas em situação de rua não envolvem somente a Ação Social. Eles envolvem toda a administração pública. É um conjunto de ações que precisam ser feitas. Por exemplo: identificar um imóvel para os serviços do Centro Pop. Isso não é uma função só nossa. É preciso que toda a Prefeitura se empenhe para organizar um espaço e isso não acontece tão rapidamente o quanto gostaríamos. Sobre as condições melhores de trabalho para os funcionários, eu concordo. Todos merecem condições dignas de trabalho e nós estamos fazendo de tudo para que isso aconteça”.

Segundo ela, o ginásio Demétrio Soares foi totalmente reparado e entregue nesta quarta-feira, 4, estando pronto para voltar a receber os serviços do Centro Pop.