O prefeito Gilson de Souza (DEM) participou de uma sabatina promovida pelo Conselho de Pastores de Franca, na segunda-feira, 26, com sete dos oito candidatos à Prefeitura. Em uma das questões, criticado pelo adversário Rafael Bruxellas (PT), o atual prefeito que disputa a reeleição disse que “é muito difícil” ser “um só contra sete”.
Em um modelo diferente, adaptado às questões religiosas, a sabatina contou com a presença de sete dos oito candidatos. Marília Martins (Psol) foi a única que não compareceu. Ela afirmou não ter sido convidada.
Uma das principais questões discutidas foi a união da igreja e do governo municipal para atender a população. Todos os candidatos, sem exceção, afirmaram que é fundamental essa participação e que atenderiam com “zelo” as pautas evangélicas.
Ao serem questionados sobre o aborto, ideologia de gênero nas escolas e preservação de costumes tradicionais, a maioria se mostrou alinhada à pauta evangélica. “O mais importante da família é o marido e mulher. Claro que vamos ser contra o aborto e a ideologia de gênero, temos que melhorar a condição de acolhimento da família para que ela tenha bons frutos”, disse o candidato Alexandre Ferreira (MDB).
A candidata Flávia Lancha (PSD) também afirmou que não defende o aborto e a educação sexual. “O que a gente vê são crianças perdendo a infância. As crianças estão tendo contato com essa questão da sexualização. Orientação tem idade, tem uma época certa para isso acontecer, mas não na infância”, disse.
João Rocha (PSL), na contramão de uma posição muito conservadora, defendeu que todas as pessoas devem ser respeitadas, independente de costumes. “Se nós tivermos um menino ou uma menina que não tenham a vontade de viver como casal que nós chamamos de ‘normal’, eu acho que essas pessoas também precisam ser acolhidas e devem ser respeitadas. Embora eu defenda duramente a família, qualquer outra situação, desde que tratemos de pessoas, nós precisamos e vamos respeitar”, afirmou.
Além disso, os candidatos falaram sobre a pandemia e muitos criticaram as medidas tomadas pela administração atual. “Com todo respeito, ninguém fez praticamente nada em relação à pandemia”, disse o candidato Rafael Bruxellas (PT). “Foi aprovada uma obra de R$ 3,5 milhões que era destinada para investimentos para fazer um viaduto na avenida Champagnat. Poderia ter sido utilizada para a construção de um hospital de campanha, para a ampliação do número de leitos e nós não teríamos a falta de leitos que tivemos, nem o acúmulo de cirurgias eletivas.”
O prefeito e candidato Gilson de Souza (DEM) rebateu. “Política é uma arte mesmo. A gente vê a argumentação dos candidatos para conseguir o apoio, trazendo informações distorcidas. Quando ele (Bruxellas) fala que eu estou fazendo um viaduto, que eu poderia usar o dinheiro, eu tenho que justificar. Esse dinheiro que veio é do Pré-Sal e é verba carimbada. Eu não posso usar para outra coisa, porque eu estaria cometendo um crime. Então tem que explicar, porque toda hora ele fala na televisão, fala aqui...”, disse o prefeito. “É muito difícil você ser um só contra sete.”