10 de julho de 2026
A GRANDE SABATINA

'Nosso orçamento é pequeno e vamos ter que buscar verba de fora', diz João Rocha

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Dirceu Garcia/GCN
João Rocha é candidato a prefeito de Franca pelo PSL

O candidato a prefeito de Franca João Rocha (PSL) foi o quinto entrevistado na “A Grande Sabatina” do GCN/Difusora, nesta quarta-feira, 21, sobre as eleições municipais de 15 de novembro deste ano. João Rocha não fugiu de temas polêmicos, mesmo afirmando que seu objetivo era apresentar suas propostas de governo. O candidato disse que vai buscar parcerias e verba fora de Franca para solucionar problemas graves na cidade, como as cirurgias eletivas e buracos no asfalto. Ele também criticou a renovação do contrato com a empresa que opera no transporte público da cidade.

A primeira pergunta feita pelo apresentador e jornalista Corrêa Neves Jr. ao candidato foi sobre o que levou João Rocha a disputar a Prefeitura depois de 40 anos. Ele foi vice-prefeito de Franca na década de 1980.

“Na vida da gente, muitas coisas a gente acha que estava vacinado e de repente os amigos, os companheiros, as velhas amizades e também as necessidades da própria cidade nos impelem, nos empurram pra essa disputa. As eleições são momentâneas e cada momento tem uma história como essa agora. Nós analisamos e acreditamos nesse momento histórico agora.”

O candidato confirmou seu descontentamento com a EPTV (afiliada da Rede Globo) que o excluiu de uma entrevista recente. “No momento que você tira alguém é discriminação. E nós sabemos que a Globo tem, sim, alguma coisa contra o PSL, partido que elegeu o presidente Bolsonaro. Embora ele não esteja hoje, sabemos que há conversa muito forte na tentativa da volta dele para o PSL”, revelou.

Acompanhado do vice, Fábio Meireles Neto, a pergunta foi inevitável sobre a participação dele na campanha e em seu governo. “Meu vice tem sido um tremendo de um parceiro. Nessa relação com Brasília, a família dele, seu avô está dentro, praticamente, de uma bancada de 250 deputados, que formam a bancada ruralista, que já tem um compromisso de nos ajudar nessa linha Franca/Brasília. Ai dele (Fábio), se não trabalhar”, brincou. O apresentador insistiu na questão porque João Rocha sempre enfatiza que ‘tem vice’. “Eu tenho um vice. Se os outros não têm, o problema é deles. Tenho certeza de que o meu vice vai desenvolver um belo trabalho.”

 

Veja a entrevista na íntegra:

 

Perguntado sobre qual análise faz do governo de Gilson de Souza, João Rocha falou: “A minha relação com Gilson como pessoa é boa. Eu não vou fazer campanha aqui menosprezando, falando mal, em hipótese alguma, mas o Gilson infelizmente - e a própria cidade está vendo - tem uma capacidade de criar problema pra ele mesmo. Se ele não cria semanalmente, pelo menos de quinze em quinze dias ele cria”, disse Rocha, emendando: “Você pega a situação da questão do transporte público, da renovação do contrato com a São José, que pra mim já saiu desde 2009 como carta marcada. É prudente que no contrato conste uma possível prorrogação. Agora, uma empresa que vence a concorrência num contrato por 10 anos e que nesse mesmo contrato nós tenhamos a possibilidade da prorrogação por mais dez anos, isso é brincadeira. Isso foi feito lá em 2009. Eu faria uma nova concorrência, faria o meu papel, de correção, de transparência, que a administração pública precisa fazer. Gilson prorrogou o contrato e ainda foi à Câmara (de vereadores) pedir dinheiro. Agora o contrato já foi prorrogado por dez anos e não tem como o próximo prefeito tirar a empresa a não ser que esse contrato seja descumprido. O que podemos fazer é exigir que as cláusulas contratuais sejam regiamente cumpridas. Mais do que isso, a definição de uma tarifa justa. Isso passa pela Prefeitura. Então precisaria uma análise correta, transparente. Naquilo que for uma tarifa justa, a empresa poderá ter, já naquilo que for fora da justiça, da legalidade, a São José não terá. A empresa não terá nenhuma benesse com João Rocha”.

Sobre a buraqueira no asfalto da cidade, João Rocha disse que pode tratar do assunto com tranquilidade, pois já foi presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). “Nosso orçamento é pequeno e vamos ter que buscar verba de fora, com grandes projetos. Buscar também a participação da iniciativa privada em parceria com o governo estadual e federal.”

Sobre a longa fila de cirurgias eletivas na rede pública - são cerca de 14 mil pessoas à espera -, João Rocha também disse que a saída é firmar as chamadas PPPs com clínicas particulares para diminuir a demanda. “Na medida que a fila anda, outras pessoas vão surgindo. Eu não posso prometer que vamos acabar com a fila... Por que não chamar essas pequenas clínicas que já têm estrutura e tentar estabelecer com eles um preço justo pra que a Prefeitura possa realmente estar pagando e possamos diminuir essa fila?”

A advogada Luiza Gomes Gouveia Miranda, que representou a OAB Franca (Ordem dos Advogados do Brasil), parceira do GCN/Difusora nas sabatinas, questionou qual a proposta do candidato para solucionar a situação dos moradores de rua. “O Centro Pop é uma política errada. Ele está instalado dentro da cidade, onde o indivíduo vai lá faz sua higiene pessoal, faz sua refeição, alimenta e, em seguida, ele retorna para o mesmo sinaleiro em condições de pedinte. Acho que temos que chamar a iniciativa privada para uma parceria. Por que não deixar as instituições que têm estrutura, mão de obra, clínicas de recuperação e psicólogos fazerem isso?”, indagou João Rocha.

No minuto final da entrevista, reservado para as considerações finais, João Rocha disse que vai continuar tratando a cidade com respeito e pediu votos. "Aqueles que puderem nos ajudem."