08 de julho de 2026
PUBLIEDITORIAL

Os perigos da obesidade na infância

Por |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Excesso de peso não tem nada a ver com boa saúde

Há algumas décadas, uma criança “gordinha” era sinônimo de saúde. Para a vovó, quanto maior o peso, maior era a força e imunidade da molecada, mesmo que isso interferisse no relacionamento com os colegas da escola ou com a forma como essa criança reagia à sua própria imagem no espelho.

Por sorte os anos passaram e a informação está chegando mais rápido para os pais, que descobriram que excesso de peso não tem nada a ver com boa saúde. Muito pelo contrário: uma criança obesa pode desenvolver diversos problemas, entre eles hipertensão, doenças respiratórias e cardíacas, além de outras síndromes. Isso sem contar a possibilidade de desencadear problemas de comportamento, depressão e baixa autoestima.

O serviço de Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde, conhecido como Vigitel, mostrou que, em 2019, a prevalência de sobrepeso e obesidade atinge 55,4% da população brasileira, incluindo crianças e adolescentes.

Para o médico pediatra da Unimed Franca, também endocrinologista e intensivista pediátrico, Dr. Marcelo Pinho Bittar, isso é resultado de uma industrialização que trouxe muitos benefícios, mas também criou um estilo de vida que se torna cada vez menos saudável. “Isso, no caso das crianças, causou o aumento da ingestão de alimentos mais calóricos e a diminuição do gasto de energia através da atividade física”, explica.

Portanto, é ainda mais importante que toda criança faça acompanhamento médico com um pediatra, que realiza avaliação regular do gráfico do peso e altura, além do controle do índice de massa corpórea. “Dessa forma, o médico poderá acompanhar a tendência de ganho de peso e o estabelecimento da obesidade, evitando assim seu curso e prevenindo complicações. Alguns exames complementares são úteis na avaliação de crianças obesas, incluindo a avaliação de glicemia, do lipidograma, dos estados de hiperinsulinismo, da presença de alterações hormonais e do comprometimento hepático”, explica o médico.

A obesidade infantil é caracterizada por um excesso de gordura corporal em crianças de até 12 anos, sendo considerado sobrepeso quando o peso da criança está, no mínimo, 15% acima do peso de referência para a sua idade. Nem sempre a obesidade infantil está relacionada ao consumo excessivo de comida, ou é culpa dos pais. Existem inúmeros possíveis fatores, como sedentarismo, ansiedade e genética, por exemplo.

Ainda segundo Dr. Bittar, o tratamento da obesidade é complexo e não existe nenhum tratamento farmacológico em longo prazo que não envolva mudança de estilo de vida. “Depois de estabelecido o diagnóstico da obesidade, é necessário estabelecer uma mudança comportamental para toda a família. O ideal é o acompanhamento com profissionais como pediatra, endocrinologista pediatra, nutricionista, educador físico e psicólogo. Existem alguns medicamentos que podem ser usados na faixa etária pediátrica, mas deve-se sempre avaliar a segurança, custo e a eficácia”, conclui.