Oito candidatos disputam a prefeitura de Franca. Na corrida pelos votos, os partidos e coligações não restringiram as propostas aos problemas que geram maior cobrança da população, como melhorias na Saúde, Educação, recapeamento de ruas e avenidas ou geração de empregos. Pelo menos seis dos candidatos incluíram em seus planos propostas bastante "alternativas".
O plano de governo de Adérmis Marini (PSDB) contempla uma Praça Pet. O espaço seria utilizado para ‘’convivência, recreação, atividades e desenvolvimento de projetos de educação’’ focado nos animais, como se todas as praças da cidade já não fossem espaços idealizados - também - para a convivência de animais domésticos. O tucano pretende ainda fazer convênios com academias e condomínios residenciais para utilização dos espaços em horários de baixo movimento. Por fim, uma das formas sugeridas para enfatizar Franca como Capital do Basquete é com ‘’uma tabela enorme com uma bola na entrada da cidade’’, aparentemente inspirada no modelo dos monumentos gigantes de Itu.
João Rocha (PSL) chama atenção por uma proposta voltada aos animais. A ideia do candidato é ‘’implantar uma rede de chipagem animal, com controle através de um aplicativo, e facilitar a fiscalização de maus tratos e abandono dos animais’’. Até onde é possível deduzir, a tal rede abrangeria todos os animais domésticos da cidade, inclusive os de rua. Como seria possível financiar esse projeto e de que maneira ele poderia ajudar no acompanhamento de eventuais maus-tratos são mistérios que a proposta de João Rocha não esclarece.
Alexandre Ferreira (MDB) diz que pretende incluir, nas fases l e ll das creches e nas pré-escolas municipais, aulas de Inglês. A ideia desperta curiosidade por conta da baixa faixa etária dos alunos, muitos deles criancinhas que ainda sequer dominam o português. Obviamente, o ensino bilíngue é possível, mas trata-se de realidade muito distante do cotidiano do sistema de creches do país, que enfrenta problemas mais urgentes, como a crônica falta de vagas para pais e mães que não têm com quem deixar seus filhos.
O atual prefeito e candidato a reeleição, Gilson de Souza (DEM), pretende "reservar" um número de leitos para idosos nos complexos hospitalares, como se já não fosse obrigação atender a todos que precisem de assistência hospitalar. Na Saúde, Gilson retoma a promessa de zerar a fila de cirurgias eletivas, medida que já anunciou durante este mandanto, apontando até o investimento - R$ 100 milhões - mas que não apenas ficou só no papel, como também fracassou em pelo menos reduzir o drama de quem está há anos esperando por um procedimento. Pelo menos o prefeito deixou de incluir clássicas bandeiras que ajudaram a pavimentar a vitoria na última disputa mas que se mostraram impraticáveis. Desta vez, no Plano de Governo, Gilson de Souza não faz menção ao Hospital das Clínicas, ao Hospital Público Veterinário nem a tarifa de ônibus de R$ 1 nos finais de semana,.
Orivaldo Donzelli (PTB) defende que os servidores públicos da prefeitura precisam de uma UBS (Unidade Básica de Saúde) exclusiva, que não seria aberta à população. Além da UBS só para os funcionários da prefeitura, o professor também quer criar uma escola de marcenaria para formar profissionais para a reforma dos móveis desgastados da Prefeitura.
Se Gilson abandonou seu projeto do Hospital das Clínicas, a ideia seduz a candidata Marília Martins (PSOL), que promete construir um hospital 100% público, e que ‘’atenda a demanda de cirurgias eletivas, incluindo de redesignação de gênero’’. Não há no orçamento do município a menor possibilidade de implantação de um projeto deste envergadura, ainda que todo o dinheiro disponível fosse canalizado para este objetivo.
Mas isso não é tudo. Marilia quer 100% público também uma maternidade que realizaria ‘’partos humanizados, contemplando o atendimento por doulas até internação de CTI pediátrico que atenda as demandas das mães, recém nascidos e crianças’’. Não se tem indicativo de onde viria o dinheiro para nada disso.
Marília, por fim, propõe mudar a jornada de trabalho do funcionalismo público - para menor. A candidata planeja a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais (seis horas por dia), e sem redução de salários.
Os planos de governo de Flávia Lancha (PSD) e Rafael Bruxellas (PT), apesar de também nada especificarem sobre a origem do dinheiro necessário para financiar as iniciativas propostas, são mais pé no chão e não trazem ideias particularmente inusitadas.