08 de julho de 2026

Ando escutando o vento...

Por Angela Gasparetto | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 1 min

Ando escutando o vento. Sinto seu toque, o perfume e até a sua irreverência.

Lá do outro lado da montanha ele se mostra todos os dias. Derruba as roupas do varal, desmancha a mesa posta e colhe as flores antes do tempo.

Ando escutando o vento...

Nesse ano de tantas intempéries no mundo e mesmo algumas na vida pessoal, percebo que ao amanhecer, quando tudo está silencioso, o vento vem me contar que todos os dias temos mesmo aquela chance de fazer diferente; e fala-me da paz mental que podemos alcançar com a aceitação daquilo que já não podemos mudar.

O que podemos mudar, e eu aprendi nesse malfadado ano, devemos lutar em todas as frentes. Buscar soluções, definir metas e até nos antecipar ao futuro, caso isso nos dê alguma segurança fictícia. Isso nos estrutura quando tudo muda de forma abrupta, como aconteceu.

Mas também aprendi que há as coisas do intangível, do inesperado que nos acometem e sobre as quais não temos controle algum. O que não temos controle, esse vento conta-me que devemos deixar fluir no universo do secreto, na lei do livre arbítrio, nas causas e efeitos e sim, na lição que Deus quer nos passar.

Então, ando ouvindo o vento e sua música milenar. Ele sopra além das montanhas imaginárias e visita-me nas esquinas da vida. E no amanhecer de todos os dias, ele sussurra cantos libertários, acena para recomeços, assinala com novas esperanças. O vento fala à minha alma e segue comigo desde sempre.

É tempo. É tempo da magia do vento e das possibilidades reais do caminho. É tempo do vento divino.