09 de julho de 2026
DÉFICIT RURAL

Clima seco pode causar déficit de 40% na produção de café em 2021

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Enviada por Wanderley Cintra Ferreira.
Clima seco afeta a produtividade da próxima colheita

O clima seco, a princípio comemorado pelos cafeicultores, vem se tornando um verdadeiro pesadelo. Benéfica na hora da colheita, a extensão desta estiagem já causa preocupação para a próxima safra, podendo acarretar em prejuízos materiais e financeiros. Enquanto as chuvas não chegam à região, agricultores já buscam medir os possíveis prejuízos.

Segundo Murilo Nascimento Duarte, analista técnico da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), as plantações estão passando por uma seca acentuada. "Hoje, se pensarmos na cafeicultura que é o forte da região, onde a cooperativa tem atendimento, estamos passando por uma seca acentuada, porque em comparação com outros anos, as chuvas já deveriam ter voltado. Estamos há quase 120 dias sem chuvas consideradas volumosas."

Para Murilo, ainda é cedo para fazer um panorama sobre os prejuízos. "De maneira geral, na região, estamos passando por uma seca, mas assim que voltar a chover as lavouras voltarão a ter uma plantação. Em questão de potencializar, de passar um percentual prejudicial, ainda é um pouco cedo. Precisamos ver as próximas chuvas para conseguir ter uma realidade palpável."

De acordo com a cooperativa, 3,6 milhões de sacas de café são esperadas até o final desta última safra que se encerra. Realidade que pode mudar para 2021. "Estamos com pouco mais de preocupação, devido ao longo período de seca, em comparação aos outros anos. Não tem uma chuva considerada boa desde maio. Normalmente já teríamos chuvas volumosas em setembro, quando a chuva faz saltar a floração da planta, pensando na produção da próxima safra. Quanto mais demorar a chover, mais complicações ela pode causar à planta", completou Murilo.

 

''Pelo menos 40% de déficit''

Diferente da cooperativa, o presidente do Sindicato Rural de Franca, José Henrique Mendonça, já estima um déficit de 40% na produção da Alta Mogiana para 2021. "A safra para o próximo ano já está altamente comprometida! Estou passando na região de Minas e está um desastre. Tudo seco, a planta não vai conseguir fecundar. Não tem estrutura para a próxima florada, comprometendo muito a safra de 2021. Serão pelo menos 40% de déficit para a colheita da Alta Mogiana para o próximo ano."

Com 260 produtores cadastrados no Sindicato, José crava 110 mm (milímetros) de déficit hídrico. "A seca foi um pouco mais severa, não tendo as chuvas de junho e de julho, que geralmente deságuam em torno de 20 a 30 mm, às vezes até um pouco mais. Estamos com déficit de 110 mm, isso faz décadas que não acontece. 110 mm de déficit é um absurdo!"

"Vai ser um caos, eu sei muito bem o que é isso. Agricultores vão começar a abrir sinistros bancários para os próximos meses das próximas colheitas. Isso é extremamente prejudicial à nossa atividade. Não é brincadeira!", afirmou.

 

Cafeicultores

O agropecuarista João Jacinto, de 31 anos, afirma que no começo a seca foi benéfica. "No primeiro momento de seca, no período normal, foi muito bom. Possibilitou uma boa colheita, não tivemos contratempos, não tivemos queda forçada ou perda de qualidade dos grãos, do fruto e consequentemente do padrão de bebida."

Porém, com o decorrer da estiagem, as lavouras foram sentindo os efeitos, principalmente, as novas plantações. "As lavouras mais novas, que não tem um sistema radicular consistente, ainda estão em formação, vêm sofrendo bastante com a seca. O que pode vir a causar problemas para as próximas safras, pois não temos certeza do volume de chuva, assim como se as plantações irão se recuperar nos próximos meses", completou João.

Segundo o ex-presidente da Cocapec Wanderley Cintra Ferreira, de 74 anos, a falta de chuva já causa preocupação nos produtores. "Em nossa região, está havendo um estresse muito longo e certamente irá comprometer a próxima safra significativamente. A previsão de chuva só para a segunda quinzena de outubro, já está deixando os cafeicultores muito preocupados com as perdas que certamente ocorrerão."

Para o cafeicultor de Ribeirão Corrente Paulo Henrique Faleiros, de 28 anos, os problemas irão aumentar se persistir este cenário. "Temos que torcer muito para que as chuvas venham logo. Ribeirão Corrente é uma cidade 90% agrícola. Sofre muito com o tempo seco, baixa umidade, poeira e queimadas. Dependemos muito da chuva para aumentar a produção, melhorar a estabilidade financeira dentro de casa e a manutenção do meio ambiente. Caso esta seca persista, os problemas irão aumentar."