Pacientes que passaram pelo Pronto-socorro "Álvaro Azzuz” na quarta-feira, 16, e nesta quinta-feira, 17, denunciaram ao portal GCN que esperavam até nove horas pela consulta. O local funciona como centro de referência do novo coronavírus.
“Eu cheguei aqui no PS por volta das oito da manhã com sintomas de Covid-19 e até agora, mais de três horas depois, ainda não fui atendida. Quando fui perguntar à enfermeira quanto tempo demoraria para me chamarem, ela disse que não havia previsão, pois os médicos estavam fazendo greve lá nos consultórios. No momento, ela também falou que eles só iriam atender cinco pacientes por hora”, disse Juliana.
Celina Silva, 53, relatou que esteve na unidade acompanhando seu marido, que enfrenta problemas relacionados a uma pneumonia, e que o atendimento na quarta-feira demorou mais de nove horas. “Ontem, chegamos aqui na unidade ao meio-dia e meia e só fomos liberados próximo das dez horas da noite. Foram mais de nove horas esperando. Hoje, o atendimento demorou menos. Chegamos no PS às sete e meia da manhã e fomos atendidos às onze.”
Nilton César Pereira, que foi à unidade com dores no corpo e ardência no nariz, contou que foi atendido em cinco minutos na triagem, porém, demorou mais de três horas para ser chamado pelo médico. “Entrei aqui procurando atendimento por volta das sete e meia e me chamaram quando já era quase onze horas. Me medicaram e, em cinco minutos, fui liberado.”
A diretora do pronto-socorro, Cláudia Poubel, disse não ter conhecimento de uma operação-tartaruga e afirmou que a demora para o atendimento se deve ao aumento do fluxo de pessoas na unidade.
“O fluxo de pacientes com problemas respiratórios aumentou. Eles necessitam de um atendimento mais cauteloso e reavaliação após serem medicados. Além disso, necessitam realizar os testes de Covid-19. Isto está requerendo um tempo maior nas consultas e na permanência dos pacientes no local”, disse a médica.
Dinheiro
O secretário de Saúde, José Conrado Netto, admitiu, em entrevista ao programa A Hora é Essa!, da rádio Difusora AM 1030, que pode estar ocorrendo uma espécie de “greve de braços caídos” por parte dos médicos prestadores de serviços por conta de divergências em relação aos valores pagos pelos plantões.
Segundo Netto, os médicos, que não são servidores de carreira e prestam serviços sem vínculo - recebiam R$ 1.780 por cada plantão de doze horas. O contrato terminou em agosto. Para elaboração do novo contrato, a prefeitura fez uma tomada de preços para estabelecer os valores de referência e descobriu que Franca pagava 50% a mais do que a média de cidades do mesmo porte do interior, casos de Ribeirão Preto e Sertãozinho. O valor definido para o novo contrato, que começou a vigorar em agosto, foi fixado em R$ 1.170 por cada plantão de 12 horas, valor calculado a partir da média dos pagamentos feitos a profissionais destas outras cidades.
“Eles, capitaneados pela diretora do PS, Cláudia Poubel, criaram uma associação e entraram com um pedido de aumento desse valor no Ministério Público. Então, o MP, a Prefeitura de Franca e a associação dos prestadores de serviços assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), onde o novo valor seria feito com base nos pagamentos de plantão de dois hospitais privados de Franca, o que eu não concordo (por achar que, mesmo asssim, continua acima do que outras cidades pagam), mais o da Santa Casa”, disse Netto. Mesmo com a discordância de Netto, que defendia o valor de R$ 1.170, por seis meses passou a valer como referência de preço dos plantões a média paga pelos hospitais particulares e Santa Casa de Franca.
O novo valor ficou estipulado em R$ 1.570, acima do preço pago pelas cidades pesquisadas, mas abaixo do que Franca desembolsava anteriormente, e passou a valer no dia 10 de setembro. “O que eu creio que pode estar ocasionando essa possível operação-tartaruga é os médicos estarem pressionando para que o valor pago a eles nos plantões de agosto, que foi válido até 10 de setembro, suba de R$ 1.170 para R$ 1.570”, disse Netto.
Conrado Netto disse que caso realmente se comprove a operação-tartaruga por parte dos médicos, haverá rescisão de contratos, já que os profissionais são contratados como prestadores de serviços e não tem estabilidade. “Quem não estiver satisfeito (com o que recebe) que vá embora.”, disse o secretário.