10 de julho de 2026
INVESTIGAÇÕES

Nós não vamos desistir, diz delegado do caso Wesley

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Wesley Pires Alves Filho está desaparecido desde o dia 28 de agosto

Neste sábado, 12, completa o período de 15 dias que o estudante Wesley Pires Alves Filho, de 13 anos, sumiu após avisar que iria a um varejão no Jardim Aeroporto, onde mora, no dia 28 de agosto. A Polícia Civil ainda busca pistas e continua ouvindo testemunhas para tentar entender o que pode ter acontecido naquela tarde de sexta-feira.

Segundo o delegado Eduardo Lopes Bonfim, responsável pelo caso, a polícia está trabalhando severamente em buscas de novas informações, mas até o momento não tem novidades desde a última imagem do garoto, flagrado em frente a um pesque-pague na rodovia Engenheiro Ronan Rocha, entre Franca e Patrocínio Paulista.

“Nós estamos analisando todos os dias as informações que chegam, tentando checar todas as coisas que chegam até nós, mas até o momento não se tem nada de conclusivo que possa indicar realmente onde ele está, que é o ponto em que queremos chegar. Para depois descobrir o que motivou ele a fugir, mas isso ainda é uma incógnita”, diz o delegado.

Segundo ele, a Polícia Civil está trabalhando “intensamente” no caso. “Na manhã de quinta (10), realizamos novas buscas com o cachorro pela Ronan Rocha, mas em um determinado lugar o cachorro perde o cheiro dele. Nesse ponto ele pode ter recebido uma carona, já que a bicicleta apresentava problemas na corrente”, acredita Bonfim.

 

A bicicleta

Para Eduardo Lopes Bonfim, o furto da bicicleta não foi praticado pelo Wesley, já que o horário que o jovem entra na mata na avenida Emílio Paludeto e o horário do furto, são muito próximos.  Também o proprietário do estabelecimento comercial onde ocorreu o crime mostrou que o suspeito utilizava roupas brancas, diferente das roupas usadas por Wesley.

Para o delegado, é pouco provável que Wesley tenha furtado a bicicleta. Ele acredita que o garoto jovem tenha encontrado a bicicleta abandonada pelo verdadeiro ladrão e tomado posse dela. “Mas a bicicleta apresentava defeitos e quem não sabe mexer na corrente tem mais dificuldades. Nas imagens da Ronan Rocha é possível ver ele mexendo na corrente e em seguida segue sentido Patrocínio Paulista.”

Bonfim diz que agora trará outro cachorro, da Polícia Militar, para conferir se ele faz o mesmo caminho e para no lugar que o cão de Franca perdeu o cheiro de Wesley. “Isso não quer dizer que não acreditamos no cachorro daqui, mas para ter uma segunda confirmação do possível caminho traçado pelo garoto, o que pode confirmar que ele possa ter pego uma carona para fora da cidade.”

Surgiram boatos de que o local onde a bicicleta foi furtada poderia ser um lugar perigoso, o que foi descartado pelo delegado. Segundo Bonfim, o pai da proprietária da bicicleta está preso há dois anos, mas o local não tem nenhuma ligação com atividades criminosas.

“A dona da bicicleta foi ouvida na delegacia. Ela só fez o boletim de ocorrência depois que viu que a criança tinha desaparecido e após ver as imagens dele com a bicicleta em frente ao pesque-pague, na tentativa de ajudar a família ter um norte para encontrar o garoto. Não existe o porquê de um simples furto de bicicleta, matarem uma criança”, afirmou o delegado.

 

As investigações

Perguntado sobre o atraso da concessionária que administra a rodovia em responder a polícia, Eduardo Bonfim disse que isso aconteceu pela primeira vez e que apesar de não existir imagens gravadas no local, o trabalho da polícia não muda.

“A polícia não pode se frustrar diante de uma negativa ou de um fato que não leve a pistas. Nós vamos continuar correndo atrás. Nós, como seres humanos, queremos encontrar ele o mais rápido possível, assim como a família. Mas nós temos que ser profissionais, sem nos envolvermos emocionalmente”, afirma.

“É logico, envolve uma criança, é complicado, sabemos da preocupação. A criança não sabe se defender completamente, então a gente fica preocupado, mas precisamos trabalhar com profissionalismo. Nós não vamos desistir e vamos continuar procurando, que é isso que a polícia tem que fazer”, ressalta.

O celular da mãe de Wesley, que o menino usava, está em perícia e a polícia acredita ter novas pistas. O delegado também disse que ninguém da família é suspeito de participar do desaparecimento. Para o delegado, Wesley não quer ser encontrado. E informou que, normalmente, os casos de desaparecimentos envolvendo jovens duram em média 48 horas.

“Temos o caso do Berdu que está desaparecido há algum tempo, mas tinha problemas de Alzheimer. Tem um caso de um rapaz de Restinga, que também tem alguns problemas mentais. O que eu acredito é que o Wesley não quer ser encontrado, que ele não tem intenção de voltar”, opina Bonfim.

“Nas imagens é possível ver que ele anda tranquilamente, não aparenta nervosismo. E isso dificulta demais as investigações. Quem não quer ser encontrado se mistura. Ele pode ter ido para um lado, mas pode também ter ido para outro. Agora pegamos o celular para ver se tem alguma comunicação para ver se existe alguma pista, para termos um rumo de onde ele possa ter ido”, finalizou o delegado.

Quem tiver quaisquer informações sobre o paradeiro de Wesley pode acionar a Polícia Militar, pelo telefone 190, ou a própria família, pelo (16) 99999-1479.