Na manhã desta quarta-feira, 9, um grupo de pessoas se reuniu em frente à DIG (Delegacia de Investigações Gerais), no Centro de Franca. Eram familiares e amigos dos pais de Wesley, o menino de 13 anos que desapareceu na última sexta-feira de agosto, dia 28. O protesto tinha como objetivo chamar a atenção das autoridades para o caso, principalmente da concessionária que administra a rodovia Ronan Rocha, onde o garoto foi visto pela última vez.
Com cerca de 15 participantes, o grupo carregava cartazes com fotos do garoto e frases pedindo ajuda. Camila Alves, mãe de Wesley, estava presente, acompanhada do marido Wesley Pires. “A intenção é conseguir as câmeras o mais rápido possível. Se fosse algum acidente, um assalto, essas imagens já estariam com a polícia no outro dia. É a última esperança de encontrarmos ele”, disse.
A Arteris/Via Paulista admitiu na tarde de quarta-feira que não tem imagens do trecho da rodovia onde o Wesley foi filmado, pela última vez, ainda no dia 28 de agosto.
“Eu não consigo mais ficar dentro da minha casa, não consigo comer. Olho para o lado e vejo meu filho ali”, comentou a mãe, entre lágrimas. “Ele nunca passou um único dia fora de casa. Nunca dormiu na casa de alguém, não é acostumado a ficar longe e nem sabe o que é sentir frio.”
Camila e Wesley questionaram alguns detalhes do andamento da investigação. “Eu busco informações, pistas, o que seja, e a única coisa que as autoridades fazem é interrogar a família, pressionar, falar que se eu estiver escondendo alguma coisa é pior. Isso não tem cabimento... É uma mãe desesperada.”
A mãe também comentou que houve especulações sobre a vestimenta do garoto. “Aquele dia estava frio, ele estava de moletom. Ele ficava de moletom em casa mesmo. Agora eu tenho que explicar o porquê do meu filho estar com blusa de frio e eles não têm que me explicar onde ele possa estar?”, questionou Camila.
O pai do menino, que também se chama Wesley, acredita que existem alguns pontos que precisam ser mais esclarecidos, como a questão da bicicleta. O último registro que se tem do garoto é em frente a um pesque-pague, às margens da rodovia Ronan Rocha, onde ele aparece com uma bicicleta que não era dele.
“Ele não tinha condições de ir muito longe com a bicicleta. O banco era mais alto, era difícil pedalar e ele não tinha preparo físico, nem mesmo tinha uma bicicleta em casa”, disse Wesley Pires.
“Acho que a polícia tinha que investigar mais, ir atrás da bicicleta, pedir a nota fiscal e descobrir quem é realmente o dono. Eu mesmo fui ao ponto onde ela foi furtada, escutar o pessoal de lá, fiz o papel que nem é meu, de polícia. As três vezes que fui, ouvi três versões diferentes sobre o caso.”
A cada dia que passa, a angústia e desespero crescem entre os pais e as pequenas irmãs de Wesley. Pela falta de informações, nenhuma hipótese é descartada e a família vive diariamente o drama de não saber a real situação do menino de 13 anos.
“Tenho certeza que meu filho não teria coragem de dormir no mato, passar uma noite no mato. Procuramos de todas as formas para saber se ele está com alguém ou se fizeram algo com ele”, ressaltou o pai. “Alguém que foge sai com um destino, não fica passando de rua em rua e sai de casa sem levar nada”, completou a mãe. “A minha esperança é que ele esteja vivo em algum lugar.”
O último dia, segundo a mãe
"Na sexta-feira, dia 28 de agosto, o Wesley acordou. Como já era de costume, me ajudou a lavar o quintal. Então, fui fazer almoço. Ele ficou do meu lado, como sempre fica. Enquanto eu não acabo de fazer o almoço, ele não sai e fica conversando comigo. Inclusive, o suco é por conta dele. O almoço fica pronto e ele faz o suco. Ele fez.
Todos nós almoçamos e logo em seguida tomamos sorvete. Quando eram quinze para as três, eu saí e ele ficou assistindo filme. Me despedi. Dei um beijo nele e nas minhas duas meninas. Foi como um dia comum.
Na quinta-feira de manhã eu vi o histórico do meu celular. Vi uma coisa no histórico que eu tinha pedido para ele não entrar. Peguei e guardei. Ainda na quinta, depois que ele acordou de um cochilo me disse: “O papai levou o celular?”, e eu falei: “Não, eu guardei. Você sabe por quê?”. Ele disse que sim, que sabia.
Nesse mesmo dia, ele jogou videogame, dançou com as meninas no XBox, tudo normal. Isso do celular era uma coisa que eu já fiz antes, com os três. Passa três dias, eu devolvo, porque é o único divertimento que eles têm. No mesmo dia, ele brincou, cantou e na sexta-feira estava tudo bem."