11 de julho de 2026
DESAPARECIDO

'Já entrei em mata, buraco, em tudo quanto é lugar. Não sei nada do meu filho', diz pai de Wesley

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Wesley e Camila deixando o local das buscas do filho realizadas neste domingo na zona rural de Franca

Mesmo cansado, após realizar buscas pelo filho Wesley, de 13 anos, desaparecido no dia 28 de agosto, o pai que também se chama Wesley Pires Alves, concedeu uma entrevista ao portal GCN no início da noite deste domingo, 6. A entrevista ocorreu no próprio local das buscas, na zona rural próximo a porteira de uma fazenda nas proximidades da “Estrada da Pedreira”, entre Franca e Patrocínio Paulista. Camila, mãe do adolescente, também estava com o marido, juntamente com outros parentes, mas ela não quis falar com a reportagem. “Estou cansada e nervosa”, disse.

Então, Wesley “pai” decidiu falar sobre o caso que vem intrigando a cidade, ali mesmo no meio do pasto, já quase escurecendo. Ele conta que foi para o local domingo após notícias de que seu filho estaria por ali acompanhado de outros garotos. No local, há vários casarões antigos abandonados.

Durante a entrevista Wesley chora e chega até soluçar.

 

GCN – Como está essa situação para a família?
Wesley – Não está nada fácil desde sexta-feira. Já entrei em mata, já entrei em buraco, já fui em tudo quanto é lugar. Não sei nada do meu filho... A polícia não faz nada. A única coisa que sabemos é que ele teria pego uma bicicleta na porta do bar. Depois disso, ele desapareceu. Já procurei naquelas matas, já fui em Cássia, em todas cidades da região. Não acho ele. Se alguém estiver acobertando ele, se pegaram ele pra bater e estão com ele guardado, eu peço de coração que soltem meu filho. Ele só tem 13 anos, só ficava em casa, não faz nada de errado.

GCN – E sobre essa notícia de que viram Wesley neste local neste domingo?
Wesley – O pessoal ligou, disse que viu ele nesse local com alguns meninos da escola dele. Então corri pra cá, mas não achei nenhum menino, não achei ele. Mais um dia...

GCN – Sobre essa informação que ele teria furtado uma bicicleta na porta de um supermercado, também na sexta-feira?
Wesley – Pode ter acontecido um desespero na cabeça dele de ficar só dentro de casa (se referindo ao período de quarentena). Às vezes, ele saiu pra aventurar, ver os amiguinhos dele lá do bairro e fez essa coisa, de pegar essa bicicleta. A partir dali, não tivemos mais notícia dele. Já contamos com cachorro, drone nas buscas e não acha. O menino desapareceu.

GCN – A última imagem que se tem de Wesley é realmente aquela de sexta-feira (28), com a bicicleta?Wesley – A última imagem dele é aquela que ele coloca a bicicleta no chão e olha pra trás, lá perto do pesque-pague. Ele estava olhando para ver se tinha alguém atrás dele. Falam que a gente batia nele. Que ele saiu de blusa de frio (estava muito calor no dia do sumiço) porque estava com hematomas. Que ele tinha a opção de ser gay. Não tinha. Se tivesse também não tenho preconceito. A decisão sexual é das pessoas. Sempre conversei com eles sobre isso.

GCN – Qual foi a última conversa dele dentro de casa antes de sair para ir ao varejão?
Wesley – A gente almoçou, eu dei um beijo na cabeça dele, sempre faço isso. Ele estava assistindo a um filme. A mãe dele saiu, porque ela pega às 3h (da tarde). Eu venho almoçar em casa porque eu estava fazendo 11 horas de serviço pra ganhar um pouco mais, porque devido ao sapato ter acabado, a gente ficou endividado. A minha menina disse que era umas 4 horas mais ou menos (da tarde), ele (Wesley) chegou no quarto deu um sorriso pra elas e disse que iria ao varejão e que daqui há pouco estaria de volta. Acho que ele saiu pra dar uma volta e aconteceu essa fatalidade.

GCN – Aparentemente ele não fugiu de casa, já que estava até de chinelo. O que o senhor acha?
Wesley – Ele saiu de chinelo, com uma blusa preta cavada. Como dentro de casa é frio, ele sempre fica de blusa. Ele saiu com a roupa que ele dormiu. Não tem lógica ele ter fugido.

GCN – O que a polícia fala à família?
Wesley – Fala que não tem uma bola de cristal para apontar onde ele está, que Patrocínio Paulista é muito grande (área entre Franca e Patrocínio Paulista) e não tem como eles acharem. Que eles trabalham em cima de evidência, de alguém ligar, ou falar o que aconteceu.

GCN – Como é passar mais um dia sem ele?
Wesley – É mais um dia de agonia, de angústia, de sofrimento, mais uma noite sem dormir. Peço que se alguém está com ele ou saber de alguma coisa... quero dizer que ele não vai apanhar, não será castigado. A gente só quer ver ele, abraçar e ter ele de volta (neste momento da entrevista, o pai do garoto chora).

GCN – O Wesley fez alguma coisa que o levasse a tomar a decisão de sair de casa?
Wesley – Ele não fez nada, nada, nada. Estava tudo normal. Eu acho que a fatalidade foi ali... (nesse momento o pai do garoto muda o raciocínio). A polícia precisa investigar melhor a partir daquele fato, que ele pega a bicicleta. Dali pra frente, do momento que ele passa em frente ao pesque-pague. É meu filho que está naquela imagem. Desde a semana passada a polícia pediu as imagens da rodovia e até agora não chegaram. Ali (nas imagens) vai ter a prova se meu filho pegou carona, ou se alguém colocou ele dentro de um carro.

Os pais de Wesley sempre trabalharam em casa com calçado, mas atualmente trabalham em um supermercado na avenida Presidente Vargas, região central de Franca. Eles moram no Jardim Aeroporto I. O garoto Wesley estuda na escola Vicente Minicucci, no Jardim Elimar. O sumiço do adolescente completa nesta segunda-feira, 7, dez dias.