Às 3 horas da madrugada de sexta-feira para sábado, 5, a família de Jonata Donzeli Ferreto recebeu a triste notícia de sua morte. A vítima de 25 anos era montador de móveis, pai do menino Rhuan, de apenas 3 anos, e aguardava o nascimento da filha Cecília, programado para dezembro.
Ele é a vítima de número 88 da Covid-19 em Franca. Neste domingo, 6, outra morte. Antônio de Pádua Maniglia, de 67 anos, também não resistiu ao vírus e a cidade chegou a 89 óbitos pela doença.
No dia 8 de agosto, Jonata sentiu falta de ar e foi levado para o Pronto-socorro "Álvaro Azzuz". Lá fez o exame de Covid-19 e testou positivo, sendo posto sob cuidados com respirador. No dia 11 do mesmo mês foi transferido para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital do Coração, onde ficou entubado em coma induzido.
Após 14 dias internado, a família recebeu a notícia de que Jonata não estava respondendo aos medicamentos e que o tubo de respiração estava com bactérias. Ao trocar a tubulação, houve estabilização do seu quadro, dando esperanças de recuperação.
Ainda no HC, foi feito um segundo teste de Covid. Este deu negativo. Com o resultado, decidiram transferi-lo para a Santa Casa de Franca, na sexta-feira, 4, por ainda estar debilitado.
As complicações trazidas pela Covid-19 mostraram que Jonata era diabético e estava com o nível de glicose elevado. Na Santa Casa, ele passou por traqueostomia, pois ainda tinha dificuldades para respirar. Precisou ser reanimado para passar por hemodiálise, pois os rins estavam sobrecarregados.
No sábado, 5, sua mulher Helen Souza de Oliveira Ferreto faria uma visita para contar o sexo do bebê que nascerá em dezembro. Entretanto, durante a hemodiálise, o montador de móveis sofreu três paradas cardíacas e, apesar de resistir a duas delas, não aguentou a última, quando veio a falecer.
Devido às normas de segurança contra o coronavírus, não houve velório. Jonata foi sepultado na tarde deste sábado, 5, no cemitério Jardim das Oliveiras, com a presença de 12 familiares que se despediram à distância.
Helen, muito abalada pela perda, lamentou não poder se despedir do marido como gostaria e alerta a todos que ainda subestimam a doença. “É um sentimento de tristeza por não poder me despedir pela última vez do meu marido. É muito triste esse sentimento e ainda saber que tem pessoas que não respeitam o distanciamento social e que acham que isso é só uma gripe."
Cunhada da vítima, Heloísa Oliveira também lamentou sua perda nas redes sociais com um discurso forte, criticando aqueles que menosprezam a pandemia. “Cuida e aconselha o amigo que vive em aglomeração, do amigo que não se importa com a Covid-19, que acha que é só uma gripizinha ou acha que é imune e nunca irá pegar. Hoje eu perdi uma das pessoas mais queridas e importantes, não só para mim, mas pra toda a minha família. Perdi para a tal ‘gripizinha’ que vocês tanto falam. Então eu digo: Se cuidem! Pois a dor que estamos sentindo não desejamos para ninguém, nem para a pior pessoa desse mundo! Hoje a gente teve a certeza de que coronavírus não é brincadeira. E olha que ele estava trabalhando para cuidar e dar do bom e do melhor para sua família!”, lamentou.
Até a manhã deste domingo, a Vigilância Epidemiológica não havia sido comunicada da morte de Jonata.
Também neste fim de semana, Franca registrou a morte de número 89 pelo novo coronavírus. A vítima, um homem de 67 anos, estava internado no Hospital São Joaquim/Unimed. O paciente apresentava comorbidades.