09 de julho de 2026
NOVO NORMAL

Serviços de delivery em Franca crescem 188% em um ano


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Tendência que vem crescendo ao longo dos anos, os serviços de entrega ganharam mais força na pandemia, devido à necessidade do isolamento social e às adaptações feitas por lojistas para manterem seus negócios em funcionamento. Em Franca, essa tendência não foi diferente. Muito pelo contrário. Ganhou muita força no primeiro semestre de 2020.

Números levantados pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) mostram que, no primeiro semestre de 2019, foram abertos 9 estabelecimentos do ramo na cidade. No mesmo período deste ano, o número cresceu 188%, chegando a 26 no total.

O responsável pelo Instituto de Economia da Acif, Adnan Jebailey, afirma que esse crescimento é em função da adaptação que o comércio tem feito para sobreviver à pandemia.

"O setor de entregas já vinha em expansão ao longo dos anos, tendo em vista que os aplicativos de delivery já tinham inúmeros adeptos. Contudo, a pandemia e o distanciamento social geraram um cenário de expansão das empresas de entrega delivery em todas as cidades e, em especial, na cidade de Franca, que está iniciando sua caminhada na adesão dos comerciantes por vendas via marketplaces e serviços de entregas."

Número que exemplifica essa expansão foi citado por Ubiratan Gonçalves, proprietário de uma central de entregas na cidade. “A demanda aumentou 100%, comparado com antes da pandemia.” Ele comenta ainda sobre a mudança gradual que houve, com as adaptações das empresas ao longo da quarentena. “Antes eu tinha 25 motos aqui. Quando veio o coronavírus, no início, caiu para 15. As lojas e empresários fecharam tudo, estavam com receio. Com o tempo, eles foram vendo que a alternativa era vender os produtos através do delivery e, assim, as coisas voltaram ao normal. Hoje, já até superou. Estou precisando de mais entregadores”, relatou.

Gonçalves também comentou que, com o aumento da demanda e o desemprego para muitos, o número de procura por emprego em sua central o impressiona. “Recebo em torno de 20 pessoas por dia, à procura de emprego. Infelizmente, a maioria das pessoas não atende os requisitos da nossa empresa.”

À medida que a pandemia fez com crescesse a procura por serviço de delivery, outros setores da economia acabaram demitindo funcionários. Esses fatores levaram as entregas a serem alternativa de trabalho para muitos. Contudo, grande parte desses novos trabalhadores não possui experiência no ramo, como citou Gonçalves.

Proprietário de outra central de entregas, Hubner Baldoino também relatou esse fato. “Os pedidos aumentaram muito para nós. Estamos com dificuldades em contratar entregadores experientes, a maioria que vem aqui nunca trabalhou no meio. É complicado."

Por outro lado, há profissionais que buscam formas alternativas de se integrar ao ramo de entregas atual. É o caso de Paulo Henrique Moreira, que preferiu "fugir" das centrais e tocar o próprio negócio, sozinho. Ele já trabalhava como entregador, mas na pandemia, resolveu virar um Microempreendedor Individual (MEI).

Pensando no aumento de suas viagens, decidiu garantir alguns direitos que ser um MEI lhe garante. “Sou motoboy particular. Preferi não me vincular a centrais, pois elas cobram taxa pelo intermédio que fazem entre o cliente e nós. Pensando no meu benefício, resolvi ser MEI, pagar INSS e garantir aposentadoria e alguma ajuda em caso de acidentes”, comentou.

Na mesma linha de raciocínio, Henrique Rodrigues da Silva também se tornou um Microempreendedor Individual para garantir alguns benefícios. Como trabalha para um aplicativo de entrega de alimentos, onde há muitos pedidos diários, Henrique ficou temeroso com possíveis acidentes de trabalho.

“Tenho visto muitos amigos e conhecidos caírem de moto em serviço. Isso me preocupa, porque a exigência é grande quanto aos prazos. Pensando nisso, resolvi ser um MEI e, caso aconteça algo comigo, terei um certo amparo, ao menos”, explicou.