Pressionado por proprietários e funcionários de autoescolas, durante protesto nessa quarta-feira, 12, na Prefeitura, o assessor de políticas públicas da Secretaria de Saúde, Luiz Vergara, disse que a falta de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para pacientes do Covid-19 não era esperada no início da pandemia e questionou também a instalação de vagas em cidades pequenas da região, citando Igarapava e Ipuã.
Os trabalhadores foram até a Prefeitura se manifestarem contra o que classificam como “falta de atitude” do governo Gilson de Souza (DEM). Eles cobraram mais fiscalização para que todos respeitem as regras da quarentena e o município instale mais leitos de UTI, para que Franca avance nas fases de flexibilização da quarentena e as autoescolas possam voltar a funcionar.
“O nosso protesto aqui, hoje, é porque nós estamos parados há cinco meses, não estamos conseguindo trabalhar, não estamos conseguindo manter as nossas famílias”, disse o representante das autoescolas, José Ricardo.
Ele destacou que o comércio de Franca está funcionando normalmente. “Você vai no Centro, está tudo aberto. Se você vai aqui na avenida Presidente Vargas, está tudo funcionando. E nós estamos parados por falta de atitude da Prefeitura, porque a Prefeitura não fiscaliza, a Prefeitura não aumenta a quantidade de leitos e, com isso, a gente não sai da nossa fase.”
Vergara disse que a fiscalização não é responsabilidade dele e sugeriu que o grupo falasse com o chefe da Vigilância, Felipe Granzotti. Os manifestantes discordaram.
“O nosso maior problema é esse: não ter atitude da Prefeitura. O prefeito está querendo agradar a todo mundo e não está fiscalizando. Tem loja aberta todo dia, como se estivesse normal. Com isso, nós estamos sofrendo, estamos perdendo as nossas empresas. Estamos falindo, por falta de poder trabalhar”, disse José Ricardo.
Leitos
Sobre os leitos de UTI, Vergara destacou que Franca passou de 17 para 27 vagas, com as 10 compradas pela Prefeitura da Santa Casa. Disse que o município comprará mais 10. “Acabo de protocolar agora, o município e o Estado vão fazer outra parceira: o Estado libera os respiradores e a Prefeitura banca mais 10 leitos. Franca vai passar a 37 leitos.”
Questionado sobre o motivo de não ter instalado esses leitos antes, Vergara respondeu: “Depende de recursos do governo federal, do governo estadual... E posso confessar a vocês, isso é o que nós pensamos: ninguém imaginava que Franca ia chegar a este ponto”.
Os donos e funcionários de autoescolas discordaram do assessor de Gilson. Então, ele questionou a política do Estado de instalar mais leitos de UTI Covid nas cidades da região.
“Olha Igarapava, nós somos contra. O Estado mandou 10 respiradores. Eu conheço a Santa Casa da porta da frente à porta do fundo, porque é muito pequena. E não tem condição de instalar 10 leitos de UTI, mas foram 10 respiradores para lá”, disse Vergara.
Alguns dos manifestantes responderam: “Lá tem prefeito”.
O assessor continuou. “E outra coisa, mais 10 (respiradores) vão para Ipuã, que não tem condição. Morro Agudo tem cinco leitos prontos e não mandaram respirador. (...) O que eu não concordo de ter ido para Igarapava, porque médico nenhum vai querer sair de Franca ou Ribeirão Preto para ir para lá...”, explicou ele, afirmando que “equipe em Franca não é o problema”.
Vergara defendeu que “não é do prefeito” a culpa de Franca estar na fase Vermelha. “Tudo que nós acertamos, fizemos. Vieram os primeiros 10 leitos, pagou e já está em funcionamento. Virão mais 10 respiradores e o prefeito vai pagar.”
Teoricamente, na fase Vermelha podem funcionar apenas comércio e serviços essenciais. Mas em Franca, com pouca fiscalização, lojas, salões de cabelereiro e academias, exemplos citados pelos manifestantes, estão atendendo clientes “como se não houvesse quarentena”.
Para eles, o desrespeito às regras de isolamento faz com que o vírus continue circulando na cidade, a contaminação não recue e, assim, Franca não saia do “vermelho”.
Promessa do Estado
No início deste mês, o Estado prometeu dobrar a quantidade de leitos de UTI Covid na região de Franca, com a instalação de mais 5 em Ituverava; 10 em Ipuã; 10 em Igarapava; e 5 em São Joaquim da Barra. O investimento anunciado é de R$ 4,32 milhões.
Na semana passada, a Santa Casa de Franca apresentou plano ao Governo do Estado de transformar 10 leitos de enfermaria em UTI. A Prefeitura ficou de bancar a manutenção dessas vagas, ao custo de R$ 1,44 milhão. Mas, segundo o hospital, para a instalação dos leitos é necessário que o Estado envie os equipamentos.