A participação crucial no resgate de um deficiente auditivo, em junho do ano passado, trouxe novas perspectivas para o bombeiro Walker Sousa. Após a ocorrência, o rapaz teve a ideia de criar projetos para ensinar o básico da Língua Brasileira de Sinais (libras) para crianças e trabalhadores.
O soldado diz que, antes mesmo do ocorrido, já pensava em realizar iniciativas sociais envolvendo o tema. No entanto, foi o episódio que o motivou a começar. “Eu tinha vontade de criar uma escolinha para as crianças aprenderem libras, algo que é muito necessário, mas recebe pouca atenção hoje em dia. Porém aquele acontecimento foi o que me impulsionou. Comecei a montar a estrutura na minha própria casa, onde eu pretendo dar as aulas”.
Walker afirma que o objetivo de seu curso é dar às crianças noções básicas da linguagem. “Além de ensinar como falar sobre ações cotidianas, trarei temas como boas maneiras e respeito ao próximo. Para dar mais dinamismo, pretendo contar com a participação de alguns amigos surdos que dominam as libras como ninguém. As aulas também serão abertas para o acompanhamento dos pais e responsáveis”.
O bombeiro conta que a pandemia trouxe um empecilho para seu projeto, mas abriu espaço para novas ideias “As coisas já estavam bem encaminhadas. O material já estava preparado, tudo estava pronto. Mas veio o coronavírus, junto com o isolamento social, e adiou a abertura da escolinha. Foi então que eu pensei no ‘Basicão de Libras’, projeto que estou realizando na pandemia, por meio dos canais digitais”.
Segundo Sousa, no “Basicão de Libras” os trabalhadores aprendem a dar suporte de atendimento para deficientes auditivos. “As pessoas começam aprendendo a cumprimentar e dialogar o básico por meio das libras. Depois, vamos à parte específica de sua profissão. O bombeiro consegue socorrer o surdo, um vendedor consegue atendê-lo e assim por diante. A pessoa não vai ser fluente com o curso, mas vai saber fazer o básico da linguagem quando lhe for exigido”.
Walker conta que, quando o surto do coronavírus passar, pretende dar continuidade às ações. “No pós-pandemia, os sonhos vão seguir. Estou buscando algumas parcerias para me ajudar. Já até consegui algumas, inclusive. Isso pode trazer mais qualidade para os cursos”.
De acordo com o bombeiro, pessoas interessadas em participar dos projetos podem o procurar a partir de seu Instagram, @walker_sousa23.
Ocorrência inspiradora
Segundo Walker, o episódio que o inspirou aconteceu em junho de 2019, na cidade de Leme, mas só foi ser divulgado no começo deste ano. Na ocasião, o soldado e sua equipe foram até a rodovia Anhanguera, onde havia ocorrido um acidente entre uma moto e um caminhão.
No local, a população alertou que entre as vítimas havia um deficiente auditivo. O homem, apesar de consciente, estava muito agitado. Foi então que Sousa entrou em ação. O bombeiro se prontificou a fazer o primeiro contato com o acidentado utilizando a Linguagem Brasileira de Sinais, momento que foi registrado em vídeo. Com isso, o rapaz ficou mais calmo e pôde receber os primeiros socorros.
Porém, a história de Walker com o socorrido ainda não havia se encerrado. Segundo o soldado, no hospital para onde a vítima foi levada não havia nenhum profissional de saúde que tivesse noções básicas da Linguagem Brasileira de Sinais, então os médicos o utilizaram para intermediar o diálogo. “Quando eu estava fazendo a ponte entre os médicos e o rapaz, aconteceu algo inesperado. Ele foi perguntado se era alérgico a algum medicamento e falou que sim, especificando o nome da medicação. Por coincidência, era exatamente o medicamento que ele iria receber, caso não fosse feito nenhum contato. Depois, a equipe do hospital me afirmou, se ele recebesse a substância, seu estado poderia ter se agravado”.