Após o Comitê Municipal de Enfrentamento ao Coronavírus rechaçar a criação de um protocolo para tratamento precoce de pacientes do Covid-19 com um vermífugo, o prefeito Gilson de Souza (DEM) encontrou uma maneira de colocar sua ideia em prática.
Baseada em Nota Técnica (NT 05/2020) da Secretaria Municipal de Saúde, assinada pela diretora técnica do Pronto-Socorro “Dr. Álvaro Azzuz”, a médica Cláudia Poubel, e pelo médico plantonista Gustavo Eichnberger, Franca passará a recomendar o uso de ivermectina, um vermífugo, para pacientes com sintomas leves do coronavírus, no intuito de prevenir a doença, e a hidroxicloroquina, para o tratamento dos pacientes confirmados com o vírus.
Como não tem aprovação do Comitê, a Prefeitura trata a Nota Técnica como uma “recomendação”, não um “protocolo” e, por isso, não distribuirá os medicamentos na Rede Municipal de Saúde, como foi feito em Joinville (SC), por exemplo, e queria Gilson.
Seguindo as determinações do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina, mesmo com a “recomendação”, a prescrição de tais medicamentos é de total autonomia do profissional médico e depende de consentimento do paciente ou responsável.
“Os medicamentos serão receitados pelos médicos da Rede Municipal de Saúde, com o intuito de prevenir ou conter a doença COVID 19, ou seja, em pacientes sintomáticos leves que estejam aguardando o resultado do exame do tipo PCR RT, feito através de SWAB”, diz a nota técnica.
De acordo com o documento, para prevenir o coronavírus, o médico deverá receitar Ivermectina, Azitromicina, Vitamina D, Zinco, Paracetamol e Metoclopramida. Já o tratamento dos pacientes que testarem positivo será feito com Ivermectina, Hidroxicloroquina, Osetalmivir, Azitromicina, Vitamina D, Zinco, Paracetamol e Metoclopramida.
Importante ressaltar que o uso de qualquer medicamento deve ser feito após prescrição médica. O alerta é ainda mais primordial no caso de remédios, que segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), diversos órgãos e estudos no Brasil e no mundo, não apresentaram eficácia no tratamento do coronavírus.
Em nota, a Prefeitura afirma que a NT “está amparada no documento federal denominado ‘Orientações do Ministério da Saúde para Manuseio Medicamentoso Precoce de Pacientes com Diagnóstico da COVID 19’, com data de 20 de maio de 2020, tendo, portanto, lastro técnico do Ministério da Saúde”.
“A Prefeitura reafirma sua preocupação primordial com a preservação da vida das pessoas e que a orientação de indicação do tratamento precoce contra COVID 19 respeitará a conduta e autonomia médica em receitar para seus pacientes os remédios indicados na NT”, afirma.
Distribuição em ‘saquinhos’
Em uma reunião do Comitê Municipal de Enfrentamento ao Coronavírus em Franca, no dia 14 de julho, foi discutida a “encomenda” de Gilson para criação do protocolo. A ideia, segundo as discussões, era a distribuição “em saquinhos” por “drive trhu” da Ivermectina.
“É uma vontade do prefeito buscar essa prescrição e esse protocolo o mais breve possível”, disse na reunião o assessor de Políticas Públicas da Secretaria de Saúde, Luiz Carlos Vergara. Médicos que fazem parte do Comitê criticaram duramente a ideia, falando em “populismo” e defendendo que a relação médico-paciente deve prevalecer.
Sem aval do Comitê, Gilson teve de recuar, mas conseguiu readaptar sua ideia, com a emissão desta nota técnica, para colocar sua vontade em prática, pelo menos em partes.