11 de julho de 2026
EXPLOSÃO

Libaneses que moram em Franca relatam drama de familiares e lamentam o ocorrido


| Tempo de leitura: 3 min

A grande explosão em Beirute, nesta terça-feira, 4, também causou muita preocupação e apreensão em alguns libaneses que moram em Franca e que têm familiares na capital do Líbano.

Em Franca há vários libaneses e descendentes que moram na cidade se estão preocupados e apreensivos com o ocorrido em Beirute.

O empresário libanês Michel Aoud, da Tenda Árabe, conta que a explosão ocorreu a cinco quilômetros do bairro onde moram os familiares, tios e primos.  “Fiquei sabendo e liguei pra minha família lá. Inclusive a explosão foi a cinco quilômetros do apartamento deles. Eles sentiram bastante. A explosão quebrou toda a vidraça do apartamento deles, mas ninguém se feriu. Está tudo bem. Quando liguei, ninguém atendia. Fiquei muito apreensivo. Depois liguei para uma prima minha em outra cidade. Ela também estava bastante assustada. Logo depois consegui falar com uma tia em Beirute”.

A explosão ocorreu na área portuária. O impacto foi sentido até no Chipre, a mais de 200 km da costa libanesa. “Um amigo do meu filho (brasileiro), que trabalha na embaixada no Líbano, teve seu apartamento todo destruído. Uma judiação”, conta Michel, acrescentando que num primeiro momento a população da região achou que era um atentado.

Frederico Abrahão, proprietário da Direito de Ouvir, conhecido como Fred, descendente de libaneses, disse que conhece a região atingida pela explosão. “Esse acontecimento foi, pra nós, muito triste. Muito relevante. Assim que aconteceu entramos em contato com amigos que temos lá. Foi uma apreensão muito grande até a gente ter certeza que está tudo bem. Acho que é algo que abala não só que tem amigos ou parentes lá, mas todos os brasileiros que viu essa situação no Líbano. Recentemente eu estive no Líbano e fiquei num hotel bem próximo ao porto. Esse hotel foi totalmente destruído em função da explosão”.

Fred lembra que a comunidade libanesa é muito grande no Brasil e em Franca também. “Eu tenho contato com libaneses de vários pontos do Brasil. Nesse momento a solidariedade é muito importante. Líbano é um país lindo, com uma população bastante carismática. Eu costumo dizer que o Líbano é muito parecido com o estado de Minas Gerais, muito acolhedor”.

Outro empresário de Franca, que não é libanês, mas tem família em Líbano, é o sírio Antonio Salloum. “Quando eu soube do acontecido liguei imediatamente para minha irmã e sobrinhos que residem no Líbano pra saber de todos e o que havia acontecido. Felizmente todos estavam bem, apesar do susto e indignação pelo ocorrido, sem saber exatamente o porquê. Apesar da tristeza foi com alívio que recebemos a notícia de que todos estavam bem. É muito difícil para nós familiares, que estamos distantes e ver tudo pela TV me causou muita preocupação. Mesmo distante quero dizer a todos os libaneses que Deus os protejam. O Líbano é um país lindo com um povo bom, que não merece o que está passando. Que todos superam esse momento e que possam prosseguir com suas vidas”, disse o empresário que atua no ramo de máquinas para calçados, com a loja em Franca ‘Rei das Máquinas”.

Já o conhecido empresário Tony Salloum também ficou apreensivo e preocupado com as pessoas atingidas em decorrência à tragédia, apesar de seus familiares estarem todos no Brasil. “Não tenho família lá mais, eles estão todos aqui. Graças a Deus. Mas é muito triste o que ocorreu”.

 

Números

Beirute acordou em choque e enlutada um dia após as duas explosões registradas no porto da cidade. Mais de 100 pessoas morreram e outras 4.000 ficaram feridas. De acordo com o governo, de 250 mil a 300 mil pessoas estão desabrigadas. Os danos podem chegar a entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões.

 

 

O primeiro-ministro Hassan Diab decretou dia de luto nacional para esta quarta-feira. Ele afirmou que as explosões foram causadas pela detonação de 2.750 toneladas de nitrato de amônia.