Diante do sistema de saúde de Franca colapsado com a falta de leitos de UTI, os vereadores se mostram muito preocupados com a situação da cidade. Os números de contaminados de Covid-19 dispararam e aumentam a cada dia e pessoas estão entubadas no Pronto Socorro à espera de vagas em hospitais.
O vereador Corrêa Neves Jr (PSD) usou a Tribuna da Câmara na sessão desta terça-feira, 28, para sugerir uma espécie de lockdown parcial, além de pedir que o prefeito respalde a fiscalização da Vigilância Sanitária contra os abusos durante a quarentena. “A situação é de caos. Não é apenasbuma projeção de caos. Todos os indicadores de Franca hoje são horríveis. Passou da hora de fazer o que precisa ser feito. Ninguém aguenta mais essa quarentena. Alguma medida precisa ser tomada. Lockdown já, por 15 dias. Agora é momento de fazer o que tem que ser feito”, disse.
O vereador lamentou a situação da família que tem uma pessoa internada na Santa Casa e outra entubada no Pronto Socorro esperando uma vaga de UTI de Covid. “Olha só a situação que Franca está passando... Precisa torcedor para um morrer para abrir uma vaga de leito de UTI? A luz no fim do túnel agora é resolver os problemas de leitos. Ao mesmo tempo, acelerar as discussões de alternativas que acelerem a voltar à normalidade”.
O parlamentar elencou os números de ocorrências registradas pela Vigilância Sanitária no último final de semana e também e reforçou o apelo para que o Executivo respalde o trabalho da fiscalização. Neste final de semana a Vigilância precisou interromper 16 jogos de futebol, 6 festas e até comemoração de casamento. “Nós não temos mais o que fazer. Não vamos pactuar com isso. Não é gente buscando levar comida para casa (que compromete a quarentena) e, sim, gente fazendo festa”, acrescentou Corrêa Jr.
Dentro da sugestão de um lockdown proposto pelo parlamentar estaria o fechamento de lojas e supermercados aos finais de semana e a proibição de venda de bebidas alcoólicas das 18h às 8h da manhã por 15 dias. O vereador também pede mais poder de atuação da Vigilância Sanitária, colocado mais fiscais à disposição da Secretaria de Saúde.
Outros vereadores, que têm voz de peso na Câmara, disseram que um lockdown pode mesmo ser a solução para conter à pandemia na cidade.
O decano da Câmara e irmão do prefeito, Nirley de Souza, foi um deles. "Eu concordo com você, Jr. Da maneira que as coisas estão indo não podem seguir. Não tem havido a colaboração de certos segmentos também. Todo mundo está sabendo do perigo e as pessoas jogando futebol e fazendo festas. Alguma coisa precisa ser feito mesmo. Tem que ser estudada. Se não, vai ser difícil vencer essa batalha”, disse.
O líder do governo na Câmara, Tony Hill (DEM), também disse que o momento exige atitude. "Acho que é necessário um lockdown. Ou faz agora ou vai ser tarde demais. Devemos incluir até a Polícia Civil nesse plano de ação. Muitas chácaras fazendo festa e jogos de futebol, concordo com uma medida mais firme”, afirmou.
“Esse final de semana acompanhei uma família e consegui um leito somente em Ituverava. Acompanhei o sofrimento da família e realmente a situação é grave. Muitas pessoas fazendo aglomerações enquanto outras pessoas estão lutando pela vida. Precisamos conscientizar que essas pessoas podem contaminar seus familiares”, disse a vice-presidente da Câmara, Cristina Vitorino (REP).
Adérmis Marini (PSDB) também pediu ação firme do Executivo. "É duro você ver pessoas dentro do Pronto Socorro entubadas esperando uma vaga no hospital. A responsabilidade é de todos nós. Vamos cobrar do prefeito uma definição. O dinheiro da Santa Casa foi aprovado em abrir e até hoje não chegou na conta do hospital. O prefeito ainda grava um vídeo dizendo que foi problema na conta. É hora de assumir responsabilidade, de executar”.
Outro que posicionou-se de forma clara a favor de uma medida mais enérgica neste instante foi o vereador Marco Garcia (CID). Tem que ser feito esse decreto. Vai ter choradeira, vai. Mas será bem menor do que chorar uma morte de um ente querido. O prefeito fala que é amigo do governador, mas ele não consegue casas populares, leitos de UTI. Que raio de amigo é esse?”, questionou Marco Garcia.
Minuto de silêncio
A Câmara Municipal de Franca respeitou minuto de silêncio nesta terça-feira pelas mortes de Cristiano Guimarães, que trabalhava no Savegnago, vítima de Covid-19 aos 42 anos, e pelo empresário Omar Pucci, fundador do Grupo Amazonas, que faleceu domingo de infarto.