O novo secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, criticou hoje a “banalização” das medidas de quarentena para conter o avanço do novo coronavírus, por municípios do interior de São Paulo. Ele citou Franca como uma das cidades que sofrem as consequências desse descaso.
“São Paulo ainda tem 20% dos seus municípios aumentando, incrementando seu número de casos. Nós, como médico, já sinalizávamos a banalização de medidas por algumas cidades do interior de São Paulo, que faziam vistas grossas ao que acontecia, principalmente, no município de São Paulo”, disse Gorinchteyn, à CNN, nesta quinta-feira, 23.
Segundo ele, a Capital respeitou as regras de quarentena, a obrigatoriedade de uso de máscaras, e retardou a chegada da pandemia ao interior, por quatro a cinco semanas. O secretário ressaltou, porém, que quando o vírus chegou a algumas cidades do Estado, as “flexibilizações não foram realizadas de forma lenta, gradual e progressiva”, e as pessoas “se expuseram muito mais”.
A consequência é o aumento no número de casos e a pressão sobre os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) das cidades-sede das regiões de Saúde. “Então, cidades como Ribeirão Preto, Araçatuba, Franca passaram a se manter, realmente, na zona Vermelha, na coloração Vermelha, que representa a Fase 1, aquela da quarentena em que apenas serviços essenciais passaram a estar presentes funcionantes.”
Ele citou como exemplo de ação rápida, as medidas tomadas pelo Estado, na semana passada, rebaixando à Fase 1 a região de Piracicaba. “Algumas áreas foram muito bem acompanhadas, como Piracicaba, em decorrência de uma elevação do número de leitos de UTI sendo comprometidos... Atingiu quase 85%, chegou a 84,6%. Foi um sinal de que: ‘Opa! Nós estamos internando mais, nós não temos a condição de manter na zona Laranja, então, ela recua para a zona Vermelha’.”
Franca, Araçatuba, Campinas, Piracicaba e Ribeirão Preto são as cinco regiões do Estado que estão na Fase Vermelha do Plano São Paulo. Nova atualização será anunciada nesta sexta-feira, 24, e Franca deve permanecer na Fase 1, por causa da taxa de ocupação dos leitos de UTI Covid, que se mantém acima dos 80%.