Tô cansada do politicamente correto
Pisou na linha verde-calada
Na linha amarela-levante os braços
Na linha rosa- vai ver se eu tô na esquina
Na linha roxa-xinga de trouxa
Na linha branca- se abrir a boca desmancha
E assim a costura da vida não perde a linha
Amizades terminam
Brigas começam
Famílias discutem, desquitam, aniquilam-se
Por quê?
Porque eu uso a minha régua nos relacionamentos
Só a minha, com as minhas medidas
Eu sou dona do nosso bordado
Você não cabe nele eu descarto
Sangrando, mordendo, corroendo por dentro
Mas eu o faço
Nos entroncamentos humanos também uso a minha balança
Os pesos eu mesma amordaço
Você não tem peso algum comigo
Ele tem, se tem...
Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três
Vendido um ser humano
Minha língua é melhor que a sua, fazer o quê?
Eu sei, eu sei, eu sei
Você?
Se desconhece a minha tribo
É inimigo
Quer pão com mortadela?
Vem cá, pobrezinho quer tirar uma foto com esse amigo?
Preto veio, pega na minha mão
Hoje é dia de pão e circo
Virei palhaça, tô rindo à toa
Toca o sino aí pra mim, meu povo
Moço, tira seus sapatos
Não prefere andar descalço?
Isso tá certo, aquilo tá errado
Onde foi que eu li mesmo?
Não vem ao caso
Se eu li eu sei
Nosso caminho eu mesma traço
Você quer falar alguma coisa?
Claro, a dialética é fundamental
Peraí que vou ali comprar um protetor auricular
Para tapar os meus ouvidos
Sabe, tô cansada, com preguiça de te ouvir
Eu já disse o que eu tinha de dizer
Que porre de mundo
Imundo, cheio de mimimi
Escuta, somos todos iguais, não somos? Não somos, não?
Pera aí, deixa eu arrumar minha coroa aqui que tá caindo.