Um amigo que leu um texto meu anterior, me taxou de Bolsonarista, porque sustentei que, a meu juízo, o conteúdo da reunião ministerial do dia 22 de abril, não revela a intenção do Presidente Bolsonaro de intervir, em seu benefício e de seus filhos, em inquéritos em curso na Polícia Federal, posição que, aliás, é também defendida por muitos juristas renomados do país.
Quando decidi escrever no Comércio, isso há mais de 10 anos, sobre temas variados, inclusive política, me conscientizei que deveria ser o mais imparcial possível, não deixando que as minhas preferências políticas e ideológicas influenciassem nos meus pontos de vista.
Tanto é verdade que hoje vou sustentar uma posição absolutamente contrária à do Presidente Bolsonaro, no tocante aos mandados de busca e apreensão deferidos pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, no inquérito que apura as Fake News que teriam como berço o chamado “Gabinete do ódio”.
Bolsonaro e seus adeptos vêm sustentando, a meu ver sem razão, que esses mandados de busca e apreensão são verdadeiras afrontas ao Constitucional Direito de Expressão.
Ora, é evidente que há uma notória distinção entre o Direito de opinião e o ataque gratuito às instituições democráticas e a honra objetiva e subjetiva dos desafetos do Governo.
Uma inverdade lançada sobre a conduta de uma pessoa, não será totalmente apagada, mesmo que depois haja a retratação daquilo que foi dito. Um boato maldoso e inverídico é como lançar confetes ao vento e depois tentar recolher todas elas. A tarefa não se concretizará.
Por outro lado, é inadmissível campanhas que visem enfraquecer a nossa democracia e as instituições, especialmente os Poderes Legislativo e Judiciário. Se há problemas com as instituições em pleno funcionamento, muito pior ficará a convivência social sem elas. Penso como Albert Einstein, “O meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado.