Tô cansada do politicamente correto
Pisou na linha verde-calada
Na linha amarela-levante os braços
Na linha rosa- vai ver se eu tô na esquina
Na linha roxa-xinga de trouxa
Na linha branca- se abrir a boca desmancha
E assim a costura da vida não perde a linha
Amizades terminam
Brigas começam
Famílias discutem, desquitam, aniquilam-se
Por quê?
Porque eu uso a minha régua nos relacionamentos
Só a minha, com as minhas medidas
Eu sou dona do nosso bordado
Você não cabe nele eu descarto
Sangrando, mordendo, corroendo por dentro
Mas eu o faço
Nos entroncamentos humanos também uso a minha balança
Os pesos eu mesma amordaço
Você não tem peso algum comigo
Ele tem, se tem...
Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três
Vendido um ser humano
Minha língua é melhor que a sua, fazer o quê?
Eu sei, eu sei, eu sei
Você?
Se desconhece a minha tribo
É inimigo
Quer pão com mortadela?
Vem cá, pobrezinho quer tirar uma foto com esse amigo?
Preto veio, pega na minha mão
Hoje é dia de pão e circo