A pandemia do novo coronavírus gerou um intenso sentimento de insegurança nas pessoas que têm negócios próprios. Em geral, as empresas foram forçadas a paralisar suas atividades por conta das normas de segurança e ficaram sem renda. Os proprietários tiveram de se reinventar para manter seus projetos vivos e tentar superar a situação. Em alguns casos, foi necessária muita paciência e planejamento.
No início da quarentena, apenas serviços considerados essenciais para a população puderam operar. Com isso, várias empresas tiveram que fechar suas portas e trabalhar de casa, buscando novas alternativas para seguir em frente. No entanto, para muitos estabelecimentos que trabalham apenas de maneira presencial, a pausa foi terrível.
Wilgner de Paula Souza, empreendedor do ramo de móveis planejados e proprietário do Domum Studio, afirma que a rotina em sua empresa foi modificada, mas a adaptação ocorreu de forma tranquila. “No princípio do isolamento, eu e meu sócio levamos os computadores para nossas residências e trabalhamos de maneira remota. Depois de mais ou menos um mês, nós voltamos para a loja e passamos a atender um cliente por vez, tomando todas as precauções”.
Além disso, ele conta que, em uma análise geral, a pandemia acabou trazendo mais pedidos para seu negócio. “No início, os clientes ficaram receosos por conta de não saberem como a crise os afetaria financeiramente no futuro. Mas, depois, muitas pessoas que tinham algum dinheiro guardado para outras finalidades e não puderam utilizá-lo, acabaram encomendando serviços para nós. Na verdade, estamos recebendo até mais solicitações do que antes” diz Wilgner.
Em contrapartida, outros estabelecimentos tiveram queda total ou parcial no fluxo de clientela, por conta da crise. Jhony Oliveira, dono da Jhony Barbearia, conta que, por seu ofício ser estritamente presencial, teve que suspender totalmente as atividades. “Nós ficamos mais de duas semanas parados. Precisei, inclusive, aplicar reduções salariais. Depois, houve uma flexibilização e conseguimos atender por hora marcada. Agora, estamos novamente paralisados”.
Jhony também alega que o momento trouxe diversas incertezas e que ele chegou a pensar em fechar a barbearia. “Os sentimentos ficaram confusos e vários pensamentos acabaram me tomando. Em um momento, cheguei a cogitar fechar o local. Mas minha intenção é superar tudo isso”.
Os empreendedores precisaram buscar novas alternativas para sobreviver no mercado. Sandro Gasparini, proprietário da loja Sandrinho Presentes, disse que precisou ter calma para administrar o estabelecimento e que procurou novas parcerias com seus fornecedores de produtos. “Como a minha empresa é familiar, precisei reduzir as despesas e busquei administrar a situação da melhor maneira possível. Montei estratégias para operar especificamente na pandemia. Foi necessário também renegociar acordos com os abastecedores.”
Sandro conta que tem trabalhado dentro das medidas exigidas e que fará de tudo para manter a loja operante. “Atualmente, estamos fazendo tudo dentro das normas estabelecidas pelas autoridades. Por mais que o futuro seja incerto, buscaremos continuar atendendo a clientela da melhor maneira possível e nos adequaremos às necessidades momentâneas”.
Novas ideias
Alguns aproveitaram a quarentena para empreender e criar novas fontes de renda. Foi o caso de Mariana Lopes que deu início ao seu próprio negócio de confecção de produtos veganos voltados para a estética, a CosVegan. A jovem conta que a ideia do projeto surgiu pouco antes da pandemia, mas que, com a quarentena, as coisas fluíram melhor. “Quando eu estava de férias do trabalho, passei a me interessar por esse ramo de cuidados com a pele. Daí, surgiu a vontade de produzir meu próprio material. Como deu certo, criei um site e redes sociais para a CosVegan e passei a comercializar os cosméticos”, explicou.
“Depois que foi decretado o isolamento social, eu encontrei alguma dificuldade para adquirir a matéria-prima, já que as lojas das quais compro aumentaram os prazos de entrega e alguns produtos passaram a faltar. Em compensação, as pessoas passaram a consumir mais internet, o que colaborou para um aumento na visibilidade do negócio e alavancou as vendas”, finalizou Mariana.