11 de julho de 2026
REVOLTA

Fiéis e líderes religiosos protestam pela reabertura das igrejas em Franca


| Tempo de leitura: 6 min

A decisão judicial que barrou a realização de missas e cultos em Franca, para evitar aglomerações que potencializam a disseminação do coronavírus, provocou forte impacto e muitas reações nos segmentos ligados às igrejas Católica e Evangélica. Um movimento começou a se formar nas redes sociais e, neste sábado, 13, dominava os grupos da cidade. O coro é um só: querem a reabertura das igrejas. Fiéis de diferentes religiões se uniram no movimento pelo direito de voltar a frequentar seus templos.

Líderes de algumas religiões em Franca – Igreja Católica, Assembleia de Deus, Casa de Oração e Igreja do Evangelho Quadrangular - adotam posturas semelhante: respeitam o decreto e determinaram o fechamento de seus templos, mas não escondem sua revolta com a decisão.

Quarentena

A igrejas permaneceram fechadas desde o início da quarentena, ainda no mês de março. Realizavam, desde então, celebrações pelo rádio e por redes sócias. Presencialmente, apenas atendimentos individuais.

Desde o dia 1º, os templos foram autorizados a realizar cultos e missas com a presença de fiéis, por decisão do prefeito Gilson de Souza (DEM), desde que seguissem regras rígidas para evitar a disseminação do novo coronavírus. Entre as exigências, estavam o distanciamento entre as pessoas, o fornecimento de álcool em gel e limitação a 30% da capacidade de lotação do templo.

No dia 3, o promotor de Justiça Eduardo Tostes abriu investigação para apurar possíveis riscos que a liberação das igrejas poderia representar à saúde pública. Segundo ele, houve a tentativa de convencer a administração municipal de rever sua posição, mas sem sucesso.

Desta forma, no dia 10, o Ministério Público ingressou com ação na Justiça solicitando a suspensão da autorização, sob o argumento de que a liberação contrariava orientação do Governo do Estado, que recomenda o fechamento dos templos, e afrontava a posição científica do Comitê Municipal de Enfrentamento ao Coronavírus e da própria Secretaria Municipal de Saúde, que foram contrários a liberação de missas e cultos.

No mesmo dia, o juiz Aurélio Miguel Pena, da Vara da Fazenda Pública, concedeu a liminar e, na manhã do dia seguinte, foi publicado o decreto municipal suspendendo as atividades religiosas na cidade. Para os católicos, era o dia da festa de Corpus Christi. Das cinco missas previstas na Catedral, apenas três foram realizadas. As duas que aconteceriam no período da tarde foram canceladas.

Inconformados, católicos e evangélicos começaram a protestar. A maior indignação, segundo as publicações nas redes sociais, é de que dentro das igrejas não havia aglomeração de pessoas e todos os protocolos eram rigidamente respeitados. Diferente, argumentam, do que acontece dentro dos ônibus de transporte público, nas filas em frente às agências bancárias, no Centro da cidade, nas portas de lojas e dentro de shoppings.

Na noite ainda da quinta-feira, um grupo de católicos se reuniu em frente à Catedral para rezar e se manifestar a favor da reabertura das igrejas na cidade.

Confira a seguir a opinião de representantes das igrejas entrevistados pelo GCN:

Pastor Otávio Pinheiro, da Assembleia de Deus
“As igrejas em Franca foram autorizadas a abrirem com 30% da sua capacidade e (desde que) respeitadas as questões de distanciamento, uso de máscaras e álcool gel. Tudo isso foi rigorosamente observado pelas nossas igrejas. Agindo dessa forma, entendo que não há perigo para a propagação do coronavírus. Entendo que aglomerações em outros locais da cidade é que deveriam ser proibidas.”

Apóstola Wânia Arantes, da Casa de Oração
“Infelizmente os cultos foram novamente suspensos, mesmo com toda responsabilidade, estrutura e um protocolo especial de prevenção que preparamos para receber as pessoas neste momento. Mas há filas nas portas dos comércios, nos mercados, bancos... A tristeza é enorme no meu coração...

Estar ali (na igreja) é cura, é remédio, é saúde, é comer do pão vivo que desceu do céu. A comunhão com todos os irmãos nos proporciona receber unção pura de Deus. É claro que para nós, no Brasil, é uma guerra política escancarada, muito maior que a pandemia... Sem contar internacionalmente as contradições da própria OMS (Organização Mundial da Saúde). Absurdo isso. Que fique registrado o bem que a igreja faz para toda a sociedade, as famílias e os indivíduos.

É muito importante o movimento dos fiéis pela reabertura das igrejas. Isso mostra o peso que existe em nos reunirmos e a força de um povo que ama a Deus e quer trazer justiça, paz e alegria na terra. É a manifestação dos filhos.”

Padre Rogério Ruffo, pároco da Catedral da Igreja Católica
“Sobre a decisão da Justiça em suspender as Missas, na minha opinião, foi um absurdo, pois nossas Paróquias estavam cumprindo todos os protocolos determinados pelas autoridades sanitárias: uso de máscaras, álcool gel, distanciamento de 2 metros entre um fiel e outro, higienização da Igreja após a Celebração. Estávamos acolhendo apenas 20% da capacidade de lotação da Igreja. Enfim, com toda sinceridade, nossas Paróquias estavam devidamente adaptadas para acolher os fiéis sem oferecer risco de contaminação. É muito importante a participação das pessoas na Igreja, sobretudo, neste tempo tão conturbado. Aqui, elas são fortalecidas na fé, através da Palavra de Deus que escutam, das orações e dos Sacramentos.

A respeito da movimentação nas redes sociais, o que vemos é uma grande insatisfação dos fiéis com a suspensão das missas Presenciais. Estão indignados. Quem percorre o Centro da cidade e o shopping se depara com grandes aglomerações, sem proteção alguma contra o vírus. Essas manifestações pacíficas têm o único objetivo de reivindicar o retorno das Celebrações públicas.”

Pastor Sérgio Palamoni, da Igreja do Evangelho Quadrangular
“Diante de uma determinação judicial e de um decreto, o nosso dever é cumprir o que está estabelecido. Mas não concordo com a determinação, pois a igreja, seja evangélica, católica, e outros segmentos religiosos têm seus serviços essenciais. A igreja católica e a igreja evangélica exercem um papel fundamental para os fiéis e para o município.

O nosso ministério vai além da fé e da oração, pois a igreja é um agente socializador. A maioria das igrejas trabalha com dependentes químicos, apoio às famílias com assistência social, ajuda com alimentos (cestas básicas), apoio emocional, aconselhamentos. E neste momento tão difícil que muitas famílias enfrentam, esta crise justifica a manifestação dos fiéis em pedir a abertura das igrejas, mesmo porque outros segmentos têm funcionado normalmente e não estão sendo questionado.

As igrejas seguiram corretamente as determinações nos decretos anteriores, colocando à disposição dos fiéis álcool em gel, distanciamento entre os assentos, redução do horário das celebrações, higienização do ambiente conforme orientação da Vigilância Sanitária. Gostaria de entender melhor esta decisão, visto que estamos vendo a todo momento aglomerações de pessoas nos ônibus no transporte coletivo; agências bancárias, onde uma pessoa espera horas do lado de fora para adentrar no estabelecimento e ainda continua aguardando.

E aí fica minha pergunta: estes lugares não propagam o vírus, somente em igrejas? A orientação é para que não haja aglomerações em nenhum segmento. Nas igrejas foi estabelecido o distanciamento e, mesmo assim, está impedida de funcionar, o que não ocorre com os outros segmentos.
Sou favorável ao distanciamento social, contra aglomerações, a favor da saúde e bem-estar de todos, e se a igreja ou qualquer outro segmento cumpre essas normas, não vejo por que não funcionar.

Sobre a manifestação dos fiéis em redes sociais e na porta da Catedral, é compreensiva e um direito que lhes cabe, justamente por tudo que disse. Queremos apenas nosso direito de cultuar a Deus e de ajudar nosso semelhante.”