Com a paralisação das atividades presenciais, em decorrência da pandemia, o estado de São Paulo optou pela realização de aulas online, desde o dia 27 de abril. Com o objetivo de cumprir o calendário letivo, o ensino remoto se tornou a principal estratégia para a educação estadual. Porém com o decorrer do tempo, se tornou alvo de críticas tanto dos docentes quanto dos alunos, devido a sua falta de eficiência e a dificuldade dos pais incentivarem e ajudarem seus filhos nas atividades.
A promessa de um recurso acessível a todos - que não usaria de dados da internet para que pudesse participar das aulas - entrega de apostilas impressas e disponibilidade de aulas em canal aberto de TV, não foram tão eficientes quanto se imaginou. De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), dos 3,5 milhões de alunos totais, apenas 1,5 milhão consegue acessar as aulas pelo aplicativo.
Esses números são referentes apenas ao aplicativo, não sendo possível monitorar aqueles que optam pelas aulas transmitidas na televisão. Contudo, com os dados citados, é possível concluir que a metodologia adotada é falha e excludente, não atendendo a todos os alunos de maneira igual e ressaltando ainda mais a desigualdade social que há entre grupos.
Professores
Leonardo Antônio, professor da rede estadual em Franca, conta que das sete turmas que é responsável, apenas seis alunos estão participando ativamente das atividades recomendadas. “Cada sala tem em média 35 alunos. Ou seja, no universo de 245 estudantes, apenas seis estão participando”, relatou.
Ainda de acordo com o professor, tem havido muitas reclamações de pais que não estão conseguindo orientar seus filhos a seguir o cronograma. Apesar da criação de um grupo no WhatsApp para que seja feito um contato entre pais, alunos e educadores, a comunicação ainda é falha e gera muitas dúvidas. “As coisas ainda estão confusas para a maioria. Há pais que não conseguem acessar corretamente o aplicativo e quando se apoiam na apostila, acabam surgindo muitas dúvidas em relação as atividades. Além de muitas vezes as dúvidas não serem sanadas na hora, por desencontro de horários”, acrescentou.
Para Henrique Costa Garcia, docente nas Etecs do Centro Paula Souza, esse momento de ensino remoto serve de oportunidade para pensar e construir uma nova sociabilidade de ensino. “A desigualdade de acesso e estímulo em lidar com as circunstâncias atuais de ensino tem um considerável peso na participação de cada aluna e aluno no ensino remoto”.
A possibilidade de assistir aulas em casa, pode colocar em cheque o papel da escola tradicional e do ensino presencial. “Com a democratização do acesso a internet problematizou-se a importância da escola frente ao amplo acesso às informações pelos adolescentes. Ao meu ver é um momento de defesa da escola e de resinificar o processo de aprendizagem”, destacou Henrique.
Visão dos pais
Renata Cristina Borghezani Soares, mãe de três filhos, relata que considerava uma boa alternativa o ensino a distância no início. ‘’No começo achei uma boa iniciativa para não haver perca do ano letivo’’.
Durante o acompanhamento das aulas, Renata mudou de opinião, devido à falta de conteúdo nas aulas e a limitação de aprendizagem que o ensino remoto desencadeia. ‘’O ensino online está deixando muito a desejar. As aulas estão com pouco conteúdo, principalmente para os alunos que estão no terceiro ano, e estão com o objetivo de fazer faculdade, estão precisando procurar outros meios de estudos como, vídeos, sites, etc. Em minha opinião se para quem tem acesso já está difícil, para quem não tem internet, celular, notebook, fica extremamente impossível acompanhar’’.
Antônio da Silva Bárbara, pai de três filhas, conta que as aulas on-line não atendem as necessidades educacionais dos estudantes. "As aulas estão abaixo do ideal. Com este modelo de aprendizagem não se pode estudar todo conteúdo, isso acaba prejudicando tanto a minha filha como todos os outros alunos".
Para Antônio, além de prejudicar o aprendizado, as aulas on-line excluem alunos que não tem acesso. "Não acho interessante, pois nem todos os estudantes têm acesso às aulas’’.
Novo Planejamento
De acordo com o site da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, as aulas presenciais do ensino público serão retomadas gradualmente em todo o estado. A princípio, 20% dos alunos poderão retomar as atividades, posteriormente 50% e por fim, os 3,5 milhões de estudantes matriculados.
A decisão foi divulgada na sexta-feira, 5, pelo secretário-executivo da Educação, Haroldo Rocha. Além da retomada gradual das instituições, a Secretária Estadual de Educação irá implementar o ensino híbrido no estado. O processo de aprendizagem dos estudantes contará com atividades on-line e off-line. Durante as aulas serão disponibilizados o CMSP (Centro de Mídias São Paulo), para a realização das tarefas.