Para milhares de jovens no Brasil, o ano de 2020 pode impactar diretamente no futuro educacional e profissional. Isso porque, como em todo fim de ano, os vestibulares para universidades públicas e privadas acontecem. No entanto, por conta da pandemia, os estudantes de terceiro ano do ensino médio tem tido dificuldades com a nova proposta de ensino, que funciona através de plataformas online.
Na escola técnica Dr. Júlio Cardoso, a ‘Industrial’, por exemplo, quase 200 alunos que se planejavam para os vestibulares, como Enem, sofrem com a nova rotina. A aluna Iasmyn Pedigone é uma dessas. “Foi um choque muito grande. No começo achei que conseguiria conciliar ao cronograma que propus pois achei que seria um período curto. Depois, com o começo do EAD, as lições passaram a ser demasiadas e os cursos presenciais ficaram para segundo plano”.
A jovem, que planeja cursar jornalismo, já tinha até pensado em quais universidades tentaria ingressar, através dos programas disponibilizados pelo governo e que necessitam das notas do Enem. “Eu planejei tudo com muita organização. Comecei a fazer cursos preparatórios e elaborei um cronograma de estudos. Já estava com as faculdades e o curso pretendido em mente”.
Outro caso é o da jovem Nathalia Duques. A estudante, que tem vontade de estudar fora de Franca, pretende cursar engenharia civil, mas tem encontrado dificuldades para acompanhar as aulas online, além de sentir o mesmo dos professores. “Em relação aos professores, por mais que eles têm tentado passar a matéria, sinto uma grande diferença do aprendizado presencial. Muito dos meus ainda têm uma certa dificuldade frente a tecnologia e o aplicativo que estamos usando”.
Já o aluno João Marcelo de Paula, visava tentar uma bolsa na Universidade de Franca, por meio do ProUni. O garoto sente que o ensino virtual não desperta o mesmo interesse no estudante e, por estar em casa, existe uma dispersão. “Nós do terceiro ano estamos sendo bastante prejudicados, pois não estamos tendo o hábito constante de estudo e com isso seremos afetados no Enem e em outros vestibulares”, afirmou.
Alternativas
Para que os estudantes não sejam prejudicados, eles mesmos têm sugerido propostas para viabilizar o processo e, assim, conseguirem a tão sonhada vaga. “Creio que o adiamento das provas ajudaria bastante, caso voltemos às aulas nesse segundo semestre. Mas, caso continue essa pandemia, acho que a melhor opção seria cancelar o ano, visto que a maioria dos alunos não estão recebendo suporte e terão que fazer as provas sem ter tido base nenhuma neste ano”, propôs Nathalia.
A ideia de cancelar o ano, no entanto, não parece ser bem vista por todos. João Marcelo acredita que a medida é extrema e uma alternativa melhor seria manter os vestibulares, “porém com a nota de corte reduzida para que os alunos consigam entrar nas universidades dos sonhos”.
Adiamento
A ideia de adiar o Enem parece ser a alternativa mais viável para o MEC (Ministério da Educação). A partir do fim deste mês de junho, o Inep disponibilizará na página do participante, em seu site, uma enquete para os inscritos no exame. Nela os estudantes poderão sugerir novas datas, que devem alternar entre 30 e 60 dias do que seria a aplicação original – dias 1º e 8 de novembro.
O mesmo deve ocorrer nas universidades estaduais de São Paulo – Unesp, USP e Unicamp. A primeira, através de nota para imprensa, mostrou a possibilidade de adiar a prova, além de buscar medidas para adequar a realização com as novas realidades. “Neste caso, uma nova data será marcada em comum acordo com a USP e com a Unicamp, para permitir que os candidatos interessados não sejam prejudicados na concorrência a uma vaga nas universidades públicas estaduais paulistas”. Para o anúncio das medidas e da provável nova data, a universidade aguarda a definição do Enem.