11 de julho de 2026
REPRESENTAÇÃO

MPF pede que PF investigue Sérgio Camargo por 'escória maldita'


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O subprocurador-geral da República Wilson Rocha de Almeida Neto entrou com uma representação no Ministério Público Federal pedindo a abertura de inquérito contra o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, por racismo. Camargo chamou o movimento negro de "escória maldita", além de ameaçar tomar medidas contra servidores com ideologias "de esquerda". As falas de Camargo foram ditas durante reunião na sede da fundação.

"A primeira parte do discurso revela possível desvio de poder, tendo em vista transparecer a intenção de prejuízo administrativo a servidores da entidade, apenas em razão de divergências ideológicas pessoais", diz o documento. Segundo os autores, a conduta de ameaçar adotar sanções em decorrência da visão ideológica "não se coaduna com os princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade administrativas, além de violar outros valores, tais como a finalidade, a indisponibilidade do interesse público e a probidade."

Organizações de direitos civis e representantes de religiões de matriz africana enviaram representação ao MPF cobrando a instauração de inquérito e pedindo afastamento de Camargo do cargo, por desafiar "os limites da ordem jurídica e o real compromisso da sociedade brasileira em acertar contas com o seu passado escravocrata", além de demonstrar "incompatibilidade" com o cargo que ocupa. No Congresso, um grupo de parlamentares também apresentou representação por desvio de finalidade, abuso de poder e improbidade administrativa.