Donizete de Oliveira, de 64 anos, que teve alta do Hospital do Coração de Franca nesta última quarta-feira, 20, recuperado de uma manifestação grave do coronavírus, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Corrêa Neves Jr, em live na página do GCN e Instagram, nesta quinta-feira, 21. Emocionado, disse que a batalha foi difícil e que por 18 dias “esteve morto”.
Ainda frágil e precisando de algumas sessões de hemodiálise para se recuperar do forte e tóxico tratamento, que contou inclusive com o uso do medicamento cloroquina, Donizete deixou o hospital depois de ficar entubado por 18 dias. “Graças a Deus, eu venci. Deus me ajudou e os profissionais da saúde também. Lá (no Hospital do Coração) é uma equipe muito boa. Por dezoito dias, eu estive morto, entubado. Só via uma luz vermelha. Foi muito difícil”, disse ele, com acompanhamento permanente em casa da sua mulher e do genro.
Torcedor fanático da Francana e sapateiro por mais de 30 anos, Donizete relatou que teve todos os sintomas característicos da doença. “Tive tosse frequente, falta de ar, dor de cabeça, febre e vômitos. Começou devagar. Quando vi, já estava sentindo todos esses sintomas juntos. Então fui para o Pronto Socorro (Álvaro Azzuz) e fiz o teste. No primeiro, não deu nada. Continuei sentindo os sintomas e voltei. Aí no segundo deu positivo. Fui levado para o hospital e logo já fui entubado. Quando eu acordei tive que aprender tudo de novo. Nem andar eu sabia mais. Os outros acham que essa doença é brincadeira. Não é não. Até eu achava, mas acabei pegando”, disse.
O contágio de Donizete, que sempre trabalhou em fábricas de sapato (a maior parte de sua vida no Calçados Mariner), se deu através de sua filha, que é profissional de saúde em Franca. O caso dela foi mais ameno – mesmo assim, ela ficou internada por quatro dias. Hoje, está recuperada também e já retornou ao trabalho. O restante da família, esposa e genro, fizeram exames e os resultados deram negativos.
Donizete, que ao sair do hospital entregou uma flor à equipe de enfermeiros como reconhecimento pelo trabalho dos profissionais, alerta sobre a gravidade do coronavírus. “Eu digo que as pessoas precisam levar a sério essa doença. Não é brincadeira, não. Se pegar isso, tá morto. As pessoas têm que se conscientizar que não é brincadeira”.
O sapateiro deixou o coma induzido no último dia 14. Recebeu alta uma semana depois. “Deus me deu a vida de novo. Vou fazer hemodiálise devido à medicação forte, até me recuperar, e tenho também que fazer fisioterapia. Nunca tive problema nenhum de saúde”.
No final da entrevista, Donizete voltou a agradecer a equipe médica e de enfermagem. “O pessoal lá é muito profissional. As pessoas têm que se prevenir, principalmente pessoas mais velhas. Um homem que estava internado comigo, da mesma idade, não teve a mesma sorte. Ele acabou morrendo. Graças a Deus, me livrei. Nasci de novo”.
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