Diretores da Santa Casa estiveram na Câmara Municipal na manhã desta terça-feira, atendendo convite dos vereadores, para prestar esclarecimento sobre os serviços de combate a pandemia coronavírus, especialmente sobre o episódio do último dia 10 de maio quando uma paciente de 55 anos com suspeita de Covid-19 teve sua internação recusada pelo hospital.
Estiveram frente a frente com os vereadores Thiago Silva, administrador do hospital, e os médicos Marcelo de Paula Lima e Laurence de Oliveira, responsáveis pelo Comitê de Enfrentamento Interno do Covid-19 do Grupo Santa Casa.
Na Tribuna, Thiago fez uma explanação dos critérios adotados pelo hospital por conta do coronavírus. O Hospital do Coração, que atende os casos da doença, já atendeu 36 casos, que precisaram de internação, sendo 12 casos confirmados. Foram duas mortes naquele hospital. No total, Franca soma três mortes.
O questionamento mais comum entre os vereadores foi sobre a paciente de Pedregulho, que teve o atendimento negado. Na ocasião, a central de regulação de vagas estadual autorizou a internação da paciente, mas tanto a Santa Casa quanto o hospital do Coração se recusaram a interna-la. Ela foi obrigada a retornar para Pedregulho. Depois da repercussão negativa que a notícia tomou e de chegarem a ser acusados de omissão de socorro, no dia seguinte a Santa Casa emitiu uma nota afirmando que não tinha recebido recursos para ampliar a quantidade de leitos específicos para Covid-19.
Sobre esse assunto as respostas ficaram à cargo dos médicos Marcelo e Laurence do grupo hospitalar. “Graças a Deus ela não foi colocada em uma área de risco. Hoje ela está em casa, com resultado negativo. Foi tudo uma questão de mal entendido. Iria ser uma atitude irresponsável nossa coloca-la dentro da ala de Covid-19. Não tem nada da Santa Casa estar restringindo atendimento e estamos preparados”, disse o médico Marcelo sem, no entanto, explicar o motivo do hospital publicar uma nota falando sobre a falta de repasses no dia seguinte a polêmica sem nenhuma explicação clínica.
“A parte médica não sofre influência da diretoria em aceitar pacientes ou não. No mesmo dia de caso da mulher de Pedregulho, aceitamos pacientes de outras cidades da região”, complementou Laurence.
O vereador Corrêa Neves Jr questionou os médicos. “A divergência de analise clínica surgiu agora, a nota da Santa Casa só dizia que o atendimento foi recusado por falta de repasse de verba”, questionou o vereador Corrêa Neves Jr (PSD). O hospital só publicou uma nova nota, falando sobre a análise clínica da paciente no dia 13, depois de serem cobrados pelos vereadores na sessão da semana passada.
“A ficha foi preenchida inadequadamente pelo nosso colega. Sempre gera muita discussão nesse sentido porque a medicina não é uma matemática”, concluiu o médico Marcelo de Paula Lima.
Demissões
Sobre demissões de funcionários, Thiago disse que a Santa Casa não está livre do que está acontecendo atualmente. “Alguns funcionários tinham aderido ao programa PDV (Pedido de Demissão Voluntário). Essa opção também estava no pacote de medidas para a Santa Casa poder seguir com seu serviço. Infelizmente essa situação está ocorrendo em todos seguimentos, com desligamentos de funcionários”.