A genialidade e a irreverência de Raul Seixas são reconhecidas por todos, especialmente por todos aqueles – de várias gerações -, que são seus fãs. Mas na atualidade, com a crise mundial do Coronavírus, com as suas duas vertentes, uma, a principal, de saúde pública, e a outra de natureza econômica, escancarou-se mais um atributo do “Maluco Beleza”, a profecia.
Em 1977, Raulzito compôs a música “o dia em que a terra parou”, profetizando a situação que o Mundo vive agora. Disse o gênio, “essa noite eu tive um sonho de um sonhador maluco que sou. Eu sonhei com o dia em que a Terra parou. Foi assim no dia em que todas as pessoas do planeta inteiro resolveram que ninguém ia sair de casa. O empregado não saiu para o trabalho, pois sabia que o patrão também não tava lá. A dona de casa não saiu para comprar pão, pois sabia que o padeiro também não tava lá. O guarda não saiu para prender, pois sabia que o ladrão também não tava lá. E o ladrão não saiu para roubar, pois não ia ter onde gastar. E nas igrejas nem um sino a badalar, pois os fiéis não tavam lá. E os fiéis não saíram para rezar, pois sabiam que o padre também não tava lá. E o aluno não saiu para estudar, pois sabia que o professor não tava lá. O comandante não saiu para o quartel, pois sabia que o soldado também não tava lá...”
Talvez na visão profética de Raul Seixas, infelizmente, a única previsão que certamente não deva se confirmar, seja a de que “o ladrão não saiu para roubar, pois não ia ter onde gastar”. Especialmente quanto ao ladrão do “colarinho Branco”, pois esse não tira férias, sobretudo porque a ganância é desmedida. Aliás, com a “Decretação do Estado de Calamidade Pública”, a possibilidade da roubalheira aumentar é ainda maior, pois há a flexibilização de algumas medidas de controle.
SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.