No domingo passado, dia 26 de abril, Franca era uma ilha no Estado de São Paulo. Com apenas 13 casos confirmados do novo coronavírus, a cidade e seu povo viviam a ilusão da imunidade. Ilusão desfeita com uma pancada que começou na segunda-feira, 27: sete novos casos em um único dia. E vieram novas tristes surpresas: 9, 7, 3, 2, 1. Foram seis dias consecutivos com novos casos, 29 no total.
De 13 casos de Covid-19 no último domingo, Franca saltou para 42 neste domingo, 3 de maio. A explosão foi de 223%. Ainda mais preocupante, grande parte dos pacientes positivados nesta semana são profissionais da Saúde.
São exatamente os homens e mulheres da linha de frente que estão sendo impactados pelas atitudes tomadas pelos francanos há cerca de 15 dias. Segundo autoridades de Saúde, como o secretário José Conrado Netto e o médico epidemiologista Homero Rosa, o relaxamento no isolamento social observado na Semana Santa transformou-se nessa disparada de Covid-19 agora.
Até quando a Prefeitura informou - a última quarta-feira -, dos então 36 infectados pelo coronavírus, 18 eram profissionais da saúde, todos confirmados em apenas três dias.
O ritmo de confirmações, que atingiram o pico de nove na terça-feira, caiu. Ontem foi apenas um novo caso. A paciente de número 42 em Franca é uma senhora, que está internada.
Franca ainda tenta digerir está disparada nos casos, mas parece não se importar muito. O isolamento social, o meio mais eficaz de evitar a proliferação do coronavírus, tem atingido índices cada vez menores na cidade. Na última quinta-feira, foi de apenas 42%. O ideal, segundo especialistas, seria de 70% e o aceitável, pelo menos 55 a 60%.