11 de julho de 2026
DEPOIMENTOS

'Fazemos nosso trabalho por amor', dizem enfermeiras que estão na linha de frente


| Tempo de leitura: 3 min
As enfermeiras Ana Paula (e) e Denise se mostram preocupadas com os números do Covid-19 na cidade

Na linha de frente da prestação de serviço à população, os profissionais de saúde se mostram preocupados com as estatísticas divulgadas nesta semana, apontando uma explosão de casos de contágio de Covid-19 em Franca. Em quatro dias, o número saltou de 13 casos positivos confirmados na cidade até domingo para 41 computados ao final da tarde de sexta-feira. Quase metade dos infectados são profissionais da área de saúde – 18, no total. No Pronto Socorro “Álvaro Azzuz”, transformado em Centro de Referência de Atendimento ao Coronavírus, o clima de preocupação é evidente.

Ana Paula Biasoto Marques e Denise da Cruz Antunes são enfermeiras se dedicam com coragem, estão solidárias aos colegas infetados mas admitem que o medo é grande. “Pra gente que está na linha de frente é muito difícil. Todos estão com muito medo porque é um vírus desconhecido. Não sabemos da onde vem, onde está e como vai terminar. Mais que o medo de pegar o vírus é como fica nosso estado emocional. A gente tem família, filhos e temos medo de estar contaminados e transmitir a doença. Todo mundo que chega no Pronto Socorro é suspeito, mesmo sendo com apenas uma gripe, um resfriado, até que o caso seja descartado”, disse Ana Paula.

A enfermeira diz que cumpre longo ritual após cada dia de serviço, o que inclui uma preparação especial ao deixar o PS e ao chegar em casa. “A gente tem a roupa privativa e os equipamentos de proteção que deixamos no local de trabalho para depois irem para a lavanderia. Troco minha roupa antes de ir embora. Chegando em casa, passo por fora (da residência) e deixo o sapato do lado de fora também. Minha filha sempre chega perto de mim e quer um abraço, um beijo, mas não tem como. Vou direto para o banho. Essa é minha rotina todos os dias”, descreveu Ana Paula, casada, mãe de uma criança de quatro anos.Para Denise Antunes, todo cuidado é pouco para conter o vírus. A enfermeira cobra mais apoio das autoridades e maior estrutura para trabalhar. “Temos que buscar forças em Deus e todo cuidado é pouco. Somos fontes potenciais de contaminação, mas queremos cuidar das pessoas. E para isso temos que ter todos os equipamentos (EPIs) necessários fornecidos pelos nossos governantes e nossas autoridades de saúde pra podermos fazer sempre o melhor para as pessoas. A gente dá nossas vidas para cuidar bem das pessoas. Agora que há testes rápidos temos que fazer (testar) também para podermos continuar trabalhando com mais segurança, porque já passou muita gente por aqui”.

Sobre os colegas de profissão contaminados, Denise disse que conhece alguns e lamenta a situação. “É muito triste. Eu me coloco no lugar deles, que também têm famílias, mãe e filhos. Fico pensando se fosse comigo, como eu estaria. Mas a profissão que a gente escolheu parece que é uma coisa bem maior do que esse sentimento que a gente tem de deixar tudo. Por isso, a gente continua firme e orando por eles”.

Ana Paula e Denise fazem um apelo àquelas pessoas que ainda não estão se cuidando nesse período de quarentena, não respeitando o afastamento social e não aderiram ao uso de máscara. “O vírus está nas ruas, nas casas. Quem tiver que sair para resolver algum problema, que use máscara para o seu próprio bem e para sua família. Quem puder fica em casa, cuide dos seus porque uma hora o vírus pode bater em sua”, pediu Ana Paula.

“Usar máscara não tem nada demais. Se você não quer fazer por você, faça pelas pessoas que você ama. O isolamento social foi adotado para não sobrecarregar os hospitais, mas isso já está ocorrendo como se previa. Usar máscara é o que vai ajudar nesse momento. Vamos ser um pelo outro”, finalizou a enfermeira Denise, casada, e tem um filho de 10 anos.