A confirmação de sete casos do novo coronavírus em um único dia e a perspectiva de uma disparada no contágio nos próximos dias fizeram com que a Prefeitura de Franca voltasse a estudar o endurecimento nas regras para que as pessoas cumpram o isolamento social.
Se os números de infectados pelo Covid-19 continuarem a crescer na cidade, assim como a quantidade de pessoas nas ruas, o município poderá impor sanções a quem sair de casa sem máscaras e determinar o fechamento de empresas de diversos setores produtivos, inclusive, as indústrias.
A afirmação é do chefe de Gabinete, José Conrado Netto, que também é secretário municipal de Saúde e chefe do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus em Franca. Em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Júnior, durante live na página do Portal GCN no Facebook, na noite dessa segunda-feira, 27, Netto externou a “grande preocupação” com o avanço dos casos.
“Para você ver o tamanho da preocupação, hoje (ontem), em um único dia, tivemos o mesmo número de casos que praticamente tivemos em um mês inteiro de pandemia. Se você pegar os números de 22 de março a 22 de abril, tivemos praticamente o mesmo número de casos.”
O secretário anunciou que reuniões já serão realizadas nesta terça-feira, 28, para reavaliar os decretos municipais que impõem regras para conter a proliferação do coronavírus. “O dr. Luís Roberto de Oliveira (secretário de Administração), que está à frente deste decreto junto da PGM (Procuradoria Geral do Município), e eu agendamos uma conversa para amanhã (hoje), justamente porque ele queria entender como teria de lidar com esta situação.”
Segundo Netto, o uso de máscaras é obrigatório, apesar de o decreto não prever multas para quem deixar de usá-las. Sanções, porém, poderão ser impostas. “Eu entendo que a gente recomenda o uso da máscara, mas de uma forma obrigatória. A gente não previu essa sanção e eu acho que agora é questão de observar e regulamentar isso: se tiver de ter sanção, nós vamos ter que ter.”
Ele alerta que a forma de disseminação do Covid-19 é “muito rápida e muito grave”. “A gente precisa, sim, fazer o isolamento social, ficar em casa. E se precisar sair, deve fazer uso de máscara.”
A maior preocupação é que cresça a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Netto explicou que um paciente de coronavírus fica, em média, 18 dias internado com tratamento intensivo. E este grande período de internação é o que causa a falta de leitos.
Franca tem hoje a capacidade de manter ao mesmo tempo 78 pessoas internadas em UTIs, nas redes pública e privada. E este total é para todo tipo de pacientes, não apenas de Covid-19, e das 22 cidades da região. Até ontem eram cinco pessoas com coronavírus internadas em UTIs da cidade. Isso sem contar, pacientes com outras doenças ou então vítimas de acidentes.
Será essa taxa de ocupação de leitos que irá determinar o endurecimento ou não das regras do isolamento social em Franca. “Se a ocupação de nossos leitos começar a subir e atingir um patamar que a gente entenda que tem de voltar e proibir tudo, inclusive as indústrias, isso, com certeza, será feito”, garantiu Netto.