Não havia vizinhos. Afora semana de Lua Cheia, o terreiro e o quintal ficavam às escuras. Então, inventávamos atividades.
- Vamos brincar de esconde-esconde?
- Vamos.
Alguém cobria os olhos com as mãos, contava até dez, ou até cinquenta, saía à procura dos outros, que tiveram tempo para se esconder.
- Achei! É a Catarina debaixo da cama da mãe.
- Não vale, você viu (em verdade, “num vali; cê viu”).
Divertíamo-nos.
Estou detestando é esta brincadeira de agora. A cama é moderna, não sobra espaço sob ela para me esconder. O guarda-roupa, as portas são óbvios demais. O forno é pequeno em demasia, não me cabe. E este vírus inoportuno insiste na brincadeira de pega-pega.
Ah, saudades de eu menino.