Sozinho na escuridão, em meio ao silêncio total, ouvi um som diferente ... Foi assim que Gaspar começou a contar sua história, na varanda de uma chácara, em noite de lua cheia, onde um grupo reunido apreciava a força da natureza, com aquele resplendor luminoso, refletindo nos morros, cafezais, eucaliptos até onde a vista alcançava. A visão da lua, para muitos, desperta o lado sensível e imaginativo sugerindo mistérios e segredos.
Continue, pediram eles, com grande expectativa! Eu tinha levado minha esposa à casa de meu filho e voltei às duas horas da manhã, quando desliguei o carro e apaguei a luz, a escuridão era total, tinha chovido, céu nublado e um vento frio soprava, mansamente. Foi quando ouvi um som estranho, suave, semelhante a um gemido, mas não era humano, nem de animal. Entrei correndo em casa, amedrontado, mas logo saí para ver se descobria o que era. Fui andando até a horta e o som continuava, nunca ouvira igual, muito leve, mas constante. Voltei e fui tentar dormir, como estava muito cansado, adormeci e acordei com o mesmo instigante som. Levantei –me com o sol, rompendo as nuvens cinzentas da chuva anterior e dirigi-me `a cerca, quando olhando bem, proximamente, vi o vento soprando, vagarosamente, balançando os galhos de eucalipto, cujas folhas roçavam umas nas outras, provocando o tão misterioso barulho. O medo me fez imaginar coisas horríveis, mas como tenho fama de contador se causos, ninguém vai acreditar.
Gaspar não está só. Toquinho, o compositor da música Tarde em Itapuã, descreve, deliciosamente, como é passar uma tarde nesta praia e, em uma das estrofes, complementa:
“Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
E o diz-que-diz-que macio
Que brota dos coqueirais”
Medroso e prosador igual a Gaspar é difícil!