A culpa já não me cabe mais
Nem a roupa, o guarda-roupa
Ou aquela carapuça de lady moça
Que eu vestia há dias atrás
A casa se tornou espelho do banheiro
Extravasa, jorra, excreta, incomoda
É ali que colocamos tudo pra fora
Jamais a nascente foi começo, meio e fim
Trancada a sete chaves
Vejo-me no ventre
Quando olho para o meu rebento
E ele me devolve um olhar em movimento
Sou vela acesa
Joelhos no chão
Crença no amanhã
Quanta coincidência vivermos o mesmo enigma do por vir
Entendo cada pontapé seu na minha costela
Os soluços fora de hora
Turbilhões à noite quando me calo
Na cama com a cabeça indo embora
Neste isolamento volto-me para dentro
Era preciso esse renascer de mim
Desse vai e vem incompleto
Que me resume a simplesmente SER
Distante do que eu era
Vivo a verdade nua e crua
Tal qual a cebola que me fez chorar
Hoje pela manhã enquanto preparava meu arroz com feijão
A cozinha não dava para o banheiro
Agora dá
Quebrei a parede de todos os cômodos
Tá tudo junto e misturado
Tal qual a vida mesmo
Que reflete no azulejo
Sujo
Sem álcool gel pra limpar