Não é a memória que guarda experiências significativas, mas é o que podemos guardar além e aquém, na linguagem, diz Dante Alighieri, considerado o fundante da língua italiana.
Diz Freud : no momento da percepção não há memória. Sabemos que a percepção pode ser distorcida/falsificada.
Para a memória “emocional”, a ligar o “não sei” ao “vir a saber”, há que nomear, diz Bion.
Meditar diz o iogue, é atentar ao presente, interiormente. Meditamos comprando no supermercado, cantando, caminhando. Atentos.
Em tempos de celulares, o desafio: zapear, copiar/ colar leva ao aprendizado intelectual. É a atenção que guia a percepção para experiência emocional, e daí para aprendizado encarnado, reutilizável.
Tempo alonga/contrai, se experiência dói ou traz prazer. Espinha/aveluda; recheia/esvazia “tempo” convencional, de relógio/calendário.
Sentimos anos velozes como ventos. Outros escoam em câmera lenta. Guardamos palavras/imagens: criptografamos o vivido. Se nos tornamos capazes de compartilhar é devido a processamento interno.
Narrando para minha filha, detalhista, acontecimento em intervalo de tempo que me pareceu décadas (paquidérmico/pesado/denso), ela me corrige: mãe, foram apenas três anos!
O relógio interno/calendário emocional/linguagem exclusiva, individual, não convencional é regulado pelo que sofremos: no prazer e no sofrimento. Sentimos “durante”. Depende do que assimilamos, na passagem à linguagem; das palavras que nomeiam o sofrido. Imagens perduram sensações. Não memorizamos...incorporamos o vivido!
Dizem que ao morrermos, zás!, passa um filminho: momentos evocados em que estávamos corp´alma, inteiros!
Morremos/ressuscitamos através das leituras: nos livros – que são eternos/multifacetados; e na Vida, passageira/ única/ instantânea/filtrada/ múltipla. Memória rediviva, desdobrável.
Nem sempre acessamos aquilo que dorme vulcanicamente, mas, à revelia, momentos amotinados nos abismam.
Em isolamento, feliz quem pôde/pode/poderá guardar experiências palavradas. O Tempo, assim, não passará inutilmente: será reinventado/ renomeado.
Desenvolver a capacidade de sentir/sofrer/elaborar o vivido cada dia/ minuto/segundo é trabalho intransferível/solitário/vital.
Vir a ser demanda atenção ao Tempo.