No dia 26 de fevereiro Franca registrou sua primeira suspeita de portar o novo coronavírus. Apesar de o teste ter dado negativo, desde então a cidade e os hospitais vêm tomando medidas para evitar a propagação da Covid-19. Nesta última semana, no entanto, essas medidas foram intensificadas. Ações de proteção aos médicos, instalações pensadas para combater o vírus e 76 leitos exclusivos para antedimento a pacientes com síndrome respiratória aguda grave, principal sintoma da doença. Hoje Franca tem 4 casos confirmados.
A Santa Casa, por exemplo, teve que repensar vários pontos da sua estrutura. No local, 20 leitos foram disponibilizados exclusivamente para aqueles que apresentarem sintomas do vírus, sendo 14 leitos de enfermagem e 6 de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).
Além disso, uma entrada única para esse tipo de paciente foi criada para as salas, separando assim dos outros pacientes e funcionários do hospital. Outra medida adotada é a de triadores na recepção, que fornecem álcool em gel e permitem que apenas cinco pessoas entrem por vez na instalação.
As mudanças na rede pública continuam. De acordo com o Secretário de Saúde, José Conrado Netto, novas EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) foram adquiridas a fim de proteger os funcionários da saúde.
Combinado a isso, as equipes foram ampliadas com a convocação de médicos e profissionais de enfermagem, totalizando mais de 60 profissionais.
Pronto Socorro
Uma medida que passa a valer a partir de amanhã, segunda-feira, é o funcionamento do Pronto Socorro Álvaro Azzuz, que será referência da cidade no combate à Covid-19. A instalação atenderá a todos os pacientes que apresentarem síndrome respiratória, encaminhando os pacientes aos hospitais de referência, caso necessário. Para isso, terá 32 leitos disponíveis, sendo cinco com aparelhos respiratórios.
Conforme comunicado da Prefeitura, a medida tem como “objetivo agilizar o atendimento nos casos de Síndrome Respiratória e priorizar pacientes em risco de infecção, principalmente idosos acima de 60 anos, e evitar o contágio local com outros pacientes.”
Com a decisão, os casos clínicos foram direcionados para as duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS dos Jardins Aeroporto e Anita), nas regiões Sul e Oeste da cidade. “Não acho que isso complica os demais atendimentos, já que a população terá as duas UPAs para ir. Então vamos concentrar todos os suspeitos em um lugar só, com leitos de enfermaria e respiradores”, disse o secretário José Conrado Netto.
Rede Privada
Nos hospitais da rede privada, em trabalho conjunto com a Saúde Municipal, diversas atitudes e medidas também foram pensadas. A Unimed Franca, por exemplo, decidiu no dia 23, criar um Centro de Triagem para separar os pacientes com sintomas da doença. A instalação, para funcionar, contou com a chegada de equipamentos de outras cidades e começará a operar nesta segunda. “A intenção do Centro de Triagem Covid-19, como passou a ser chamado, é fazer o pré-atendimento aos pacientes, sem que eles tenham contato com outras pessoas que aguardam acolhimento na Unidade de Emergência”, explicou através de comunicado.
A respeito da quantidade de leitos, somados, a Unimed e o Regional tem 22, sendo dez para o primeiro e doze no hospital da rede São Francisco.
Para o presidente da Unimed, Daniel Haber, as medidas de contenção são de todos os envolvidos na saúde de Franca. “A Unimed Franca participa ativamente ao lado da Secretaria de Saúde e Vigilância Epidemiológica nas medidas a serem tomadas. É importante ressaltar que todos os setores produtivos da nossa comunidade devem estar envolvidos nas decisões.”
Com 4 casos em Franca, médico alerta: ‘Essa tranquilidade pode ser enganosa’
Após nove dias da confirmação do primeiro caso de coronavírus em Franca, a cidade tinha até esse sábado quatro pacientes que testaram positivo para Covid-19. São três mulheres e um homem. Dois deles são jovens e as outras duas são uma mulheres idosas. Uma delas, de 71 anos, está há uma semana internada em estado crítico. Ela é o primeiro caso de transmissão local da doença, o que prova que o vírus está circulando pela cidade. Por isso, o alerta do médico infectologista da Vigilância Epidemiológica, Homero Rosa: “Essa tranquilidade em Franca pode ser enganosa”.
A idosa, segundo familiares, estava em casa há cerca de 15 dias, recebendo visitas apenas de parentes. Saiu apenas uma vez para ir a um médico. No último domingo, 29, foi internada com gripe e na terça-feira, 31, o resultado do exame deu positivo para o coronavírus.
“Este é um sinal de alerta. O vírus está aqui e o caso desta senhora prova isso”, destacou o especialista. “Tecnicamente há transmissão na cidade e não há como falar de onde veio.” De acordo com o secretário de Saúde, José Conrado Netto, os familiares da idosa “estão em isolamento domiciliar e não apresentaram sintomas da doença”. O último boletim epidemiológico mostra que, além dos quatro casos confirmados, Franca tem 11 pessoas com suspeitas da doença, que aguardam resultado de exames. Entre elas, um morador de rua morto na última quarta-feira.