09 de julho de 2026

Sabotagem inédita


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Se continuar atirando farpas contra seus próprios ministros, numa atitude até então desconhecida na presidência,  Bolsonaro  poderá detonar seu próprio governo

 

É quase surreal o que vem acontecendo no Brasil onde o presidente, depois de atacar governadores, Supremo, mídia e todos os que não seguem sua cartilha anticientífica, passou a contestar seus próprios ministros. No momento é o da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o alvo das bicadas. Mandetta, 76% de aprovação do povo, tem realizado trabalho exaustivo no combate à Covid-19. Entretanto, vem sendo cada vez mais criticado e desautorizado no que se refere à sua diretriz de aconselhar o isolamento social como único recurso para evitar que o vírus se alastre, leve o sistema de Saúde ao caos e mate milhares de brasileiros.

Apesar das evidências, o presidente não se conforma com as medidas adotadas por seu ministro e, assim, isola-se dele e do resto do mundo. Até a semana passada ainda tinha em sua companhia os presidentes da Índia,do México e do Equador. Não mais.

Fora do consenso mundial, e já não contando mais, no caso específico da Covid-19, nem com o apoio de dois ministros respeitados, Sérgio Moro e Paulo Guedes, Jair Bolsonaro se queixa de estar abandonado, quando, na verdade, foi ele que abandonou o barco da sensatez, navegando pelas águas da desinformação, na sua cega convicção de que a pandemia, mesmo já tendo contaminado mais de um milhão de seres humanos e matado mais de cinquenta mil, não merece tanta atenção. Explica-se: sua maior preocupação é a economia e não a vida.

Pressionado pelos militares que o apoiam mas são bastante lúcidos para perceberem a insensatez do chefe, Bolsonaro algumas vezes se expressa de forma mais sensata, como aconteceu no último 31 de março, quando reconheceu o perigo e os danos da pandemia. Mas doze horas depois, falando à claque na saída do Palácio, voltou atrás, apoiando e dando voz aos que pedem a quebra do isolamento.

Este foi apenas um dos muitos revertérios, na tentativa de fazer imperar a sua vontade, que vai contra a academia, os médicos, as pesquisas, a ciência e os números. Contrariando seu próprio discurso, ele posta vídeo pelo qual depois é obrigado a se desculpar. Foi o que aconteceu com o compartilhamento de uma fake news sobre desabastecimento que nunca existiu.

Seria cômico, se ele não tivesse atirado no seu próprio pé, pois a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, uma das melhores avaliadas nas pesquisas, negou com veemência a denúncia. Ela entra assim no rol dos que estando no governo, sofrem sabotagem do próprio governo. Nunca tínhamos visto isto por aqui.

Este estilo de governança que gera insegurança em meio à perturbadora crise sanitária que não assola apenas o Brasil, mas o mundo, poderia ter engendrado o caos, não fosse o comportamento firme e focado do ministro da Saúde, Luiz Mandetta, presença imprescindível neste momento de combate ao Coronavirus.


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