A semana que começa neste domingo será decisiva para determinar se comércio, indústria e serviços continuarão ou não fechados em Franca. Reuniões realizadas nos últimos dias, entre a Prefeitura e entidades dos setores produtivos, traçaram estratégias para a reabertura gradual de lojas e fábricas. Os detalhes serão fechados a partir desta segunda-feira para garantir a volta às atividades, mesmo que com restrições, a partir do dia 8 de abril, quarta-feira da próxima semana.
As atividades estão suspensas, em grande parte, seguindo determinações de decretos municipal e estadual, com medidas para conter a proliferação do coronavírus. Uma manifestação na última sexta-feira, 27, em frente à Prefeitura, pediu a reabertura dos estabelecimentos comerciais.
Mas as tratativas já estavam em andamento. Na manhã do mesmo dia, aconteceu uma reunião na Prefeitura, entre representantes da administração municipal, do sindicato das indústrias, sindicato dos sapateiros e Ministério Público.
Pelo que ficou decidido, o decreto do prefeito Gilson de Souza (DEM), que determina o fechamento das fábricas até o dia 7, será cumprido integralmente. “A indústria precisa deste tempo para colocar as normas de segurança para os funcionários trabalharem sem risco de contágio”, disse o secretário municipal de Administração e Recursos Humanos, Luiz Roberto de Oliveira.
Segundo ele, o prefeito chegou a sugerir que Franca seguisse as orientações do Governo do Estado e liberasse o funcionamento da indústria, mas os próprios sindicatos e o Ministério Público teriam pedido o prazo para adequações das fábricas.
“Apresentamos um plano de segurança ao prefeito, que será implantado pelas empresas na semana do dia 30, ou seja, a indústria continuará paralisada na próxima semana”, disse o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto.
Já o Sindicato dos Sapateiros afirmou, em nota, que a melhor forma de diminuir o avanço do coronavírus é impedir a aglomeração e que não irá aceitar nada que ataque os empregos e os direitos dos trabalhadores. “Nós estamos preocupados com a saúde e vida dos trabalhadores que estarão em risco. Pegar transporte coletivo, trabalhar confinado dentro das fábricas é colocar a vida dos trabalhadores e de quem pertence ao seu convívio em risco.”
O presidente da Unimed Franca, Daniel Haber, que tem participado de todas as reuniões, desde quando se decidiu pela quarentena em Franca, afirma que esta é uma situação inédita para a sociedade e defende que as decisões sejam tomadas de forma democrática.
“Precisamos encontrar um equilíbrio entre as necessidades de prevenção da Covid-19 e a manutenção da nossa sociedade como um todo. Estamos no caminho certo e nossas indústrias, comércio e prestação de serviços irão voltar com toda a organização necessária para seu funcionamento sem maiores riscos à saúde física das pessoas”, disse.
Plano de ação
O plano do Sindifranca é intensificar os cuidados com a higiene dos trabalhadores e reforçar a higienização de ambientes. Álcool em gel, sabonete líquido e papel toalha deverão ser disponibilizados aos funcionários para limpeza das mãos e antebraços constantemente. Da mesma forma, corredores, refeitórios e banheiros deverão ser desinfetados com produtos à base de cloro.
As fábricas deverão afastar todos os funcionários pertencentes ao grupo de risco – pessoas com 60 anos ou mais; gestantes; pessoas com problemas cardiovasculares, hipertensão, diabetes e doenças graves. Funcionários com sintomas de gripe também serão afastados.
A distância mínima de um metro entre os trabalhadores, medidas para manter o ambiente arejado, aferição de temperatura dos funcionários são tratados como sugestões, “havendo possibilidade”.
“Na segunda-feira vai haver reuniões para discutir a nossa proposta e ver os pontos que podem melhorar”, conclui Brigagão.
Testagem em massa da população é planejada
As lojas de Franca também poderão ser reabertas no dia 8 de abril. A possibilidade surgiu de uma reunião entre Prefeitura, Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), Sindicato do Comércio Varejista e Unimed Franca, na quinta-feira, 26.
A ideia, segundo a Prefeitura, é comprar 20 mil testes rápidos para realizar uma testagem em massa na população, ter o diagnóstico completo da doença na cidade, detectar os casos positivos antecipadamente, isolar os pacientes que testarem positivo para o novo coronavírus e, assim, evitar a contaminação do restante da população.
Dos 20 mil testes rápidos, 10 mil serão comprados pela Prefeitura - 5 mil já foram adquiridos. Os outros 10 mil testes seriam comprados através de uma parceria entre a Unimed e as entidades patronais. A expectativa é que todos os testes estejam na cidade no início de abril.
As empresas também deverão apresentar à Prefeitura um plano com medidas para evitar o contágio pelo coronavírus dos funcionários e público em geral.