Começou a circular na manhã desta quinta-feira, 26, um vídeo gravado pelo empresário Waldir Antônio Pimenta Júnior, da Calçados Passo Leve, em que afirma que irá demitir os cerca de 600 funcionários da empresa, devido às restrições impostas ao funcionamento das indústrias pelo decreto municipal que decreta estado de emergência em Franca, por causa da pandemia de coronavírus.
As imagens foram gravadas durante a inspeção de fiscais da Vigilância Sanitária, na manhã de hoje. Nelas, o empresário narra o seu drama. “Estou tentando trabalhar, com 10, 15 pessoas e o pessoal da Vigilância está aqui, está ‘me fechando’. Diz que eu não posso trabalhar com mais de 10 pessoas. Toda a fábrica tem 600 funcionários”, conta ele, que continua: “Neste momento, agora, vou mandar todo mundo embora, vou dar aviso (prévio) a todos os funcionários. Estou fazendo isso de coração apertado... Eu não tenho mais condições de tocar a minha empresa”.
O chefe da Vigilância em Saúde, Felipe Granzoti, diz que ontem os fiscais já estiveram na empresa e que hoje foram acionados mais uma vez. Segundo ele, a denúncia nesta quinta-feira foi feita tanto à Vigilância como à Polícia Militar.
Granzoti afirma que foi elaborado um auto de infração, solicitando que o empresário apresente um plano de trabalho assinado por um médico, atestando a garantia de saúde dos funcionários. “Não foi feita interdição”, ressalta o chefe da Vigilância. Ele diz ainda que entende a posição do empresariado francano. “Mas os fiscais estão cumprindo o decreto do prefeito Gilson de Souza (DEM).”
Segundo o decreto, “os estabelecimentos que contenham mais de dez empregados deverão apresentar plano de trabalho aprovado por médico do trabalho devidamente credenciado”.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, sobre reunião realizada ontem com a Prefeitura para discutir o decreto municipal, o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) informa que ficou estabelecido que a entidade “apresentará um plano, seguindo as determinações médicas e demais medidas preventivas, de forma que a Indústria Calçadista possa retomar suas atividades, preservando a saúde de seus trabalhadores e da coletividade.”
O comunicado informa ainda que “após a apresentação do referido plano, a Prefeitura Municipal de Franca irá avaliar a possibilidade de retomada da atividade industrial calçadista na cidade após o dia 7 de abril de 2020”, data de vigor das medidas prevista no decreto.