Todos que adentravam no plenário da Câmara Municipal de Franca nesta terça-feira, 17, paravam no dispenser para limpar a mão com álcool gel, equipamento colocado estrategicamente próximo à porta.
Com portas fechadas ao público devido ao combate ao coronavírus, a sessão também foi desidratada, pelo menos no que se refere ao uso popular da Tribuna. Dois munícipes estavam inscritos para discursar, mas os pedidos foram adiados.
Então a Tribuna ficou à disposição do convidado dos parlamentares, o médico da Vigilância Epidemiológica, Homero Rosa Júnior, que foi acrescentar mais sobre a ‘força tarefa’ em Franca contra o coronavírus.
“É um vírus novo e todos nós estamos vulneráveis. Não há vacina no mundo contra ele e não tem remédio para impedir que o vírus se agrave. Então temos que tomar algumas medidas para evitar a propagação, evitando o contato. O vírus pode entrar pela boca, nariz e olhos. Por isso temos que ter uma higienização constante das mãos. Tem que quebrar alguns paradigmas, principalmente em cumprimentar com as mãos”, disse.
O médico explanou que não precisa de pânico. “Se uma pessoa tiver com resfriado e um coriza não precisa procurar um hospital porque não há remédio. Se a saúde dessa pessoa estiver bem, ela mesmo vai se curar dentro de uma semana. Hoje pode parecer que estamos numa calmaria, mas quando anunciar o primeiro caso próximo da gente será uma bomba. Isso pode acontecer porque não há barreira para o vírus. Nessa batalha para combater o coronavírus precisamos mudar nossos hábitos. Mas é necessário”, disse.
Em seguida os parlamentares fizeram questionamentos a Homero Júnior. Adérmis Marini (PSDB) perguntou se Franca tem uma estrutura, caso venha a registrar algum caso positivo.
“Ninguém está preparado para uma epidemia. Já estamos com problemas para adquirir álcool gel, máscaras e outros itens. A prevenção é a saída”, respondeu.
Pastor Otávio Pinheiro (PTB) fez um questionamento abrangente e entre vários temas quis saber como lidar com o fake news espalhados em redes sociais sobre a doença.
“Isso é extremamente prejudicial. Quem pode falar sobre a doença é só a Secretaria de Saúde, órgão oficial para esclarecer da situação. Vamos divulgar todas as semanas como está a doença no munícipio”, respondeu o médico.
Corrêa Neves Jr (PSD) também fez várias perguntas para colaborar em levar informação à população. O vereador questionou como estão as cirurgias eletivas. “A Unimed tem 75 mil pessoas conveniadas e se dispôs gratuitamente fazer o acompanhamento dos casos que a rede pública venha a ter dificuldades em fazer. Essa união é importante nesse momento”.
Jr também alertou sobre as viagens constantes de francanos São Paulo. O médico disse. “Tenho uma percepção que os casos que Franca venha a ter virão de São Paulo. Temos todos os dias centenas de pessoas francanas indo para São Paulo e lá a gente sabe que é a porta aberta para o Brasil, devido os aeroportos. Sobre a ignorância das pessoas com relação à doença, que muitos acreditam que não existe, é lamentável. Não há informação falsa e também temos uma preocupação com as outras doenças, mas a população perece que se acostumou com elas. Temos que cuidar do nosso povo. A partir que a gente controla as doenças em nosso município, colaboramos com o geral. Não há invenção de doença. Isso é grave e temos que nos cuidar”, concluiu o médico.
Outros vereadores também fizeram algumas colocações sobre o caso.
Na tarde desta terça-feira haverá uma reunião técnica do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus.