08 de julho de 2026

Percepções equivocadas


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Na semana que finda, Jair Bolsonaro afirmou que a gravidade do coronavirus era fantasia da imprensa e Paulo Guedes que a queda das bolsas e a subida do dólar não o preocupavam

 

Na terça-feira, 10, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro afirmou nos Estados Unidos, onde estava para encontro com o presidente Donald Trump, que a epidemia global de coronavírus não era tão preocupante e seria “muito mais uma fantasia” propagada pela mídia do mundo todo do que um risco. “Obviamente temos no momento uma crise, uma pequena crise. No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo todo”, afirmou em entrevista mostrada por jornais e tevês do nosso país. A culpa era da mídia, mais uma vez, sob o ponto de vista do presidente da República, ainda que a OMS já houvesse então elevado para “muito alto” o risco do novo coronavírus. Menos de 24 horas depois, a mesma Organização Mundial da Saúde declarou que dado o número de mortos e infectados em todos os continentes, estava declarada uma pandemia.

Assim como Bolsonaro minimizou o quanto pode o grave problema mundial de saúde, seu ministro da Economia, Paulo Guedes, como se estivesse chegando de outro planeta, um dia depois das Bolsas despencarem no mundo e o dólar quase bater por aqui nos R$5 ( por conta do avanço do coronavirus e suas implicações na economia dos países afetados), fez uma revelação que causou espanto. Disse que estava se sentindo “tranquilo”, dando a entender que não seriam necessárias quaisquer medidas econômicas adicionais do governo para reparar os grande danos que as principais lideranças do mundo acusavam então. Só bem depois veio a refazer sua fala, de forma pouco convincente a quem esperava bem mais dele e sua propalada competência. Afetaram-no, de fato, a decisão de Trump de suspender na noite de quarta-feira voos entre EUA e Europa; e, mais ainda, a postura do Congresso, que quase à mesma hora derrubou o veto do Presidente ao projeto que elevava o limite de renda familiar per capita para concessão do BPC, um auxílio pago a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência. A votação significou uma derrota para o governo, em meio a uma crise entre os dois Poderes na disputa pelo controle do Orçamento. Bolsonaro não esperava por isso, apesar dos seus constantes ataques à instituição. Passou-lhe talvez despercebido que o ano eleitoral vai começar e nonguém quer se indispor com seu eleitorado.

A equipe econômica, liderada por Guedes, deve buscar agora uma saída jurídica. O governo estima um impacto de R$ 217 bilhões em uma década, sendo R$ 20 bilhões apenas neste ano. Um dinheiro que os cofres públicos não têm.

Com o coronavirus dentro do País atestando que a culpa não é da mídia e o Governo sofrendo derrota inesperada no Congresso, a semana do presidente não foi nenhuma Brastemp, mesmo tendo começado em Mar-a-Lago, lugar chique onde Trump tem uma de suas casas de verão.


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