Há exatos 35 anos, em 1975, a Organização das Nações Unidas, a ONU, instituía o Dia Internacional da Mulher. Comemorado desde então no oitavo dia de março, a data serviu para mostrar o empoderamento feminino e as conquistas que ela vem alcançando. Em Franca, o crescimento não é diferente. A Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), através de seu instituto de economia, realizou uma pesquisa na última semana e apontou que de 2005 até 2018, por exemplo, a participação da mulher no mercado de trabalho da cidade quase dobrou. Foi um aumento de 82%.
Ainda de acordo com o último levantamento da Relação Anual de Informações Sociais, em dezembro de 2018, 39 mil mulheres estavam empregadas no mercado formal de trabalho. Se comparado com 2002, quando a série teve início, o número cresceu em 87%.
Além dessa busca pela empregabilidade, há aquelas mulheres com instinto empreendedor. No período entre 2015 e 2019, 29,14% das empresas francanas foram abertas por mulheres. O número ainda não é parelho ao dos homens, mas é um indício de que as mulheres têm tomado cada vez mais a iniciativa de montarem suas próprias empresas.
Uma das mulheres a começar um empreendimento neste período foi Lana Pimenta, proprietária de uma loja de sapatilhas que leva o próprio nome. Na época, ela saiu da fábrica onde trabalhava, contou com a ajuda de seu marido, que é estilista, e aproveitou o acerto para iniciar os investimentos. “Comecei indo nas escolas, pedindo para que eu pudesse entrar na hora do intervalo para mostrar para as professoras. E assim comecei. Nossa marca, Lana Pimenta, foi ficando conhecida. Então, pela minha experiência, mesmo não sendo fácil e precisando ter um capital de giro, acredito que o empreendedorismo é, sim, uma solução.”
Outra empreendedora é Juliana Thompson de Moraes, que junto a seu irmão, abriu há dois anos uma empresa de gestão administrativa, onde administram propriedades de dois grupos agropecuários. Ela conta com experiência no ramo, já que em 2004 passou a ajudar a mãe a cuidar das fazendas da família. “Minha mãe é meu exemplo que sempre lutou por sua independência e nunca deixou qualquer preconceito a parar. Acredito que trago muito disso para minha vida.”
Além da empresa, Juliana também é formada em Fisioterapia, área que a ajudou para administrar as propriedades, onde trabalha com café, cana, gado e ovinos. “Na fisioterapia aprendemos a olhar o indivíduo como um todo e uma coisa que eu preconizo muito com os meus funcionários é o zelo com a saúde. Quando nem se falava em planos corporativos de saúde na área rural, nós já estávamos atrás para oferece-los aos nossos funcionários. Não sei se teria este olhar, se não fosse da área.”
Política
Outro ambiente que a mulher ainda é minoria é na política em Franca, mas o cenário começa a mudar. O direito ao voto conquistado em 1932 ajudou a impulsionar o interesse político. Atualmente, 38,56% das pessoas filiadas a partidos políticos na cidade são mulheres. Mas apenas uma mulher ocupa uma cadeira na Câmara Municipal de Franca, a vereadora Cristina Vitorino. “Estamos evoluindo. Creio que teremos mais mulheres no poder público. Estamos despertando e com certeza seremos cada vez mais”, acredita Cristina.
Mulheres em Franca ainda ganham em média 15,4% menos que homens
Apesar de todo esse crescimento, para Coordenadora do núcleo de Franca Mulheres do Brasil, Eliane Sanches Querino, há muito o que se conquistar ainda, mas todo esse espaço é muito bem-vindo. “Quando falamos de feminismo, estamos falando de igualdade entre os sexos. E isso ainda isso está longe de acontecer, apesar de ter havido muito progresso nos últimos anos, é tudo muito pequeno, se comparado ao mundo masculino.”
Como citado por Eliane, em diversos quesitos ainda há uma discrepância. Em termos salariais, por exemplo, as mulheres ainda ganham, em média, 15,4% menos que homens em Franca. No Brasil, o percentual é ainda maior, 20,5%, segundo dados levantados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “Através do programa Winning Women, do qual eu faço parte, recebemos lá no Rio de Janeiro o presidente da empresa Mundial. Ele disse que demorará 80 anos para que a mulher se equipare ao homem em termos salariais, oportunidade de trabalho e reconhecimento. É uma coisa que nem as netas das minhas netas poderão usufruir dessa igualdade”, contou Eliane.