10 de julho de 2026
MEGAOPERAÇÃO

Gaeco desmantela quadrilha que pode ter causado prejuízo bilionário


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Os promotores do Gaeco Cláudio Escavassini, Rafael Piola, Adriano Mellega e Paulo Lima durante entrevista coletiva

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Franca deflagrou na quinta-feira, 5, a “Operação Princípio Ativo”, contra falsificadores de agrotóxicos. Ao todo, a operação terminou com 22 pessoas presas e 13 ainda estão foragidas. Um dos presos é um policial civil e o líder do esquema, detido em Rio Quente, GO.

Oito pessoas foram trazidas para a Penitenciária de Franca. O Gaeco teve o apoio de mais de 600 agentes da Polícia Militar e da Corregedoria da Polícia Civil. Cerca de 190 mandados foram cumpridos em cidades da região de Franca, além de outras cidades de São Paulo e de mais três estados.

De acordo com o Gaeco, a operação mirou três organizações criminosas responsáveis pela falsificação de agrotóxicos. O esquema criminoso pode ter causado um prejuízo de mais de 10 bilhões de reais, impactando diretamente e indiretamente o setor econômico do país.

“Há dois anos estávamos investigando essas organizações criminosas, realizando as diligências e todos os procedimentos investigativos. A operação tinha o foco em desmantelar toda a arquitetura do esquema criminoso. O objetivo principal deles é a falsificação de produtos agrotóxicos, mas para a pratica desse crime final outros delitos eram praticados, como a falsificação de documentos públicos e particulares, corrupção ativa e passiva e lavagem de bens e valores. A gama de delitos dessa organização é bastante extensa”, afirmou o promotor de Justiça Adriano Mellega.

Os mandados foram executados nas cidades de Buritizal, Cristais Paulista, Franca, Igarapava, Ituverava, Monte Aprazível Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Serrana, além de outros locais situados nos Estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

“A formatação e escalonamento dos grupos criminosos é complexo e extenso, sendo que a organização possui ao menos nove células interligadas, desde a chefia da organização, passando por núcleos de financiadores, falsificadores e corretores, até o núcleo envolvendo agentes públicos, sendo esse último composto por um policial civil”, afirmou Mellega.

Em Ribeirão Preto funcionava uma gráfica que produzia os kits de falsificação usados na fabricação de adesivos, bulas e lacres, além de um laboratório de falsificação.

Trabalho intenso

Segundo o MP, a falsificação era diversa, ou seja, havia produtos grosseiramente falsificados e outros com os mesmos princípios ativos dos originais, chamados de “Classe A”.

Computadores e celulares foram apreendidos, além de documentos, folhas de cheques com valores altos, que comprovariam a lavagem de dinheiro.

Segundo o Gaeco, além dos prejuízos causados no setor econômico, a ação criminosa pode resultar em grandes riscos a saúde e ao meio ambiente.

“Normalmente, quem compra não sabe que está comprando o produto falsificado, já que eles possuíam as documentações exigidas. Então o produtor pode perder a lavoura, além do problema da saúde que pode ter conseqüências imprevisíveis para aqueles que consomem o alimento ”, explicou o promotor Rafael Piola.