A lista de cronistas brasileiros, em que pese as opinião de escritores que afirmam ser a crônica apenas gênero menor, ou nem isso, mera tentativa de escrevinhação de quem não consegue ir além – do que jamais especificou – tem nomes de peso. Só para começar: Lima Barreto, João do Rio, Cecília Meireles, Rubem Braga, Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Arthur da Távola e Mário Prata. Particularmente, sou fã das crônicas, embora tenha convicção da minha pequenez diante desses medalhões icônicos. Com relação às de outros autores, acho-as leves, algumas divertidas, outras de grande impacto emocional, verdadeiras, espontâneas, algumas que parecem psicografadas de tão naturalmente produzidas, outras que dão muito trabalho para serem escritas e lidas, pois versam temas difíceis de serem desenvolvidos ou compreendidos. Quem as escreve não pode cometer nenhum sacrilégio, qualquer erro ou imprecisão. Tomo o maior cuidado... Tenho contos, tenho poesias, biografias, histórias reais e inventadas. Tenho inspirações que brotam do nada, outras que saem sob fórceps da minha cabeça... Daí, não me importam muito essas agulhadas. Minha recompensa vem de leitores satisfeitos com o que faço, que entendem o humor ou a decepção que explicito, muitos deles anônimos, outros que não davam um tostão furado pelo meu trabalho, alguns que não gostam do que escrevo, mas são sinceros nas avaliações e sabem que sei ouvir, sem me sentir espinafrada. Anos de análise me fizeram assim. Sou insegura, também. Cobram-me coletânea de artigos e crônicas, uma espécie de antologia, da minha “obra”, cujo início vem de longe. Faz mais ou menos vinte anos que preparo, desmancho, tiro uns e outros escritos e me arrependo. Recomeço do zero.
Tenho esboçado outro livro, metade pronto, metade a ser escrito, mas com conteúdo definido de histórias que aconteceram e das quais fui testemunha ou me contaram, cujo título é Grandes Amores. Esse é meu menino dos olhos, se é que os olhos têm menino ao lado da menina, e é projeto que interrompi pra atender honroso convite para contar a história de instituição que acompanhei desde seu início, mas apenas como contribuinte, jamais efetivamente. Nunca pus a mão na massa, dei tempo, carinho ou esforço braçal. Chegou o convite, a hora, peguei meu gravador, laptop, agendas e saí em campo para entrevistar e conversar com quem se dispusesse - ou disponha, que ainda há tempo - a conversar comigo sobre a APAE. Tenho o arquivo morto do meu jornal para pesquisar datas e efemérides.
Tenho pessoas que me circundam que deram trabalho e vida à causa. Acredito que se não pisar no freio, irei longe, muito longe... e não acabo. Mas estou com os ouvidos abertos, quem tiver histórias sobre o assunto, me conte, por favor. Pais, mães, irmãos, tios, vizinhos, parentes, não importa o grau de parentesco. Vídeos que encontrei na internet abriram-me horizontes que nem imaginava. Testemunhos de pessoas próximas enriqueceram meu conhecimento. Filmes que encontrei me emocionaram e me transformaram interiormente. E cá estou, pedindo que me procurem, caso possam ajudar ou queiram contar história relevante que auxilie na compreensão dessa misteriosa áurea que circunda e se sobrepõe ao vulto daqueles que são diferentes.