Li Polegarzinha, conto de Andersen, no Tesouro da Juventude, coleção com capa azul marinho, meu grande amor! Vários livros dentro: Livro dos contos; Livro dos porquês (perguntas sobre fenômenos físicos, químicos, curiosidades: por que há ondas no mar? o que são raios?).
Interesses de pessoas sem medo de aprender. O Tesouro era “bíblia” de variedades: livros dentro de livros (Google antigo!).
Polegarzinha, conto clássico preferido, era filha – ansiada - de um casal de velhos. Nasceu tão miudinha! Dormia em uma casca de noz e bebia o orvalho reservado nas folhas. Aquele reino pequenino, cheio de aventuras, me fascinava... Raptada por um sapo teve que lutar para sobreviver. Animais repelentes queriam casar com ela. Tudo gigantesco para a pequenina.
Na insignificância infantil, era invisível aos adultos que me rodeavam, fui Polegarzinha por muito tempo. Quiçá até hoje.
Solidária, sem pretensão, Polegarzinha salvou um passarinho enregelado que encontrou, dado como morto: agasalhou-o, compassivamente. Gesto que mudou seu destino. O passarinho retornou à vida e, depois, grato, a resgatou para um reino de flores lindas, onde ela encontrou um principezinho do seu tamanho.
Polegarzinha ganhou asas, a voar de flor em flor!
Reli o conto (esquecera o final): Polegarzinha passou a se chamar Maia, cujo significado é: título dado a mulheres/ Virgem Maria/ que sabe exatamente o que fazer para atingir seus objetivos/ devido à determinação e perspicácia consegue obter êxito com seus projetos/ Capaz de ligar-se a uma pessoa por toda a sua vida.
Polegarzinha encontrou seu mundo, renasceu. Aprendeu a viver longe da família de origem, aprendeu a afastar o Mal. Com bondade desinteressada, conquistou amigo que retribuiu seu gesto amoroso.
Por essa e por outras, leia contos de fadas para as crianças, mães, pais, vovós... Não se sabe onde se jogam boas sementes, mas elas medram, florescem, multiplicam...