04 de abril de 2026
PREOCUPAÇÃO

Caos no Cemitério Santo Agostinho provocam transtornos


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Imagens feitas na última semana no Cemitério Santo Agostinho: chuva dos últimos meses fizeram os problemas do local ficarem ainda mais evidentes

Com 10,8 mil sepulturas em seus 53 anos de existência, o Cemitério Santo Agostinho é uma referência na cidade. Apesar disso, o local vem sendo um foco de problemas. Nas chuvas dos últimos dias, a lama suja, carregando até flores, escorreu pela avenida e invadiu as lojas que ficam em frente ao cemitério; túmulos foram abertos por buracos provocados pelas águas e até um caixão virou durante seu sepultamento numa cova encharcada. Agora, a prefeitura garante que em dias de chuva vai colocar coberturas para evitar que a água entre nos túmulos. Mas os temporais dos últimos meses não são os únicos vilões.

Construída para abrigar mais 600 túmulos há pelo menos uma década, uma obra será completamente demolida porque foi feita sem fundação e a administração não conseguiu localizar o projeto original da construção. Os túmulos mais antigos também precisam de intervenção. Com o tempo, seus tijolos começaram a ceder e, por isso, a aguá invade e forma buracos no local. O problema é que em muitos deles não se sabe quem são os proprietários. Com dados desatualizados, fica impossível a manutenção nas sepulturas particulares. Problemas antigos que, a princípio, estão longe de receberem alguma solução.

Antigos, túmulos são abertos com as chuva
 
Na chuva de quarta-feira, 5, dez túmulos foram abertos por buracos formados pelas águas. O problema, no entanto, não é novo. Recorrente em fortes chuvas, se deve ao tempo de existência de boa parte das covas, algumas com até 50 anos. De acordo com a administração do local, com o tempo os blocos que envolvem as sepultaras ficaram frágeis e cederam.
 
Dez dias após o ocorrido, ainda existem túmulos que não receberam a manutenção, já que é necessária a autorização e pagamento de taxa dos proprietários do túmulo para que não haja nenhuma reclamação de familiares.
 
Segundo o secretário de Obras e Meio Ambiente, Adriano Tosta, além da data de algumas sepulturas, problemas como a arenosidade e o declive do terreno pioram o cenário. “Infelizmente é um problema estrutural que, pelo menos neste momento, não há como fazermos nada”, diz.

Ao menos 10% dos particulares têm dados desatualizados

 Para que a administração possa realizar qualquer reparo em áreas particulares do cemitério, é necessária autorização dos proprietários dos túmulos. No entanto, de acordo com a administradora do local, Adilce Silva, pelo menos 10% dos túmulos particulares estão com contatos desatualizados, inviabilizando o processo de reparos.

Para reduzir o problema, o secretário Adriano Tosta solicita que, quando qualquer mudança de telefone e endereço for realizada, as pessoas procurem a administração do cemitério para atualização dos dados. “Muitos túmulos estão com os dados desatualizados, telefones que não atendem.”

Sem autorização dos proprietários, nenhum reparo pode ser feito, ainda que as condições do túmulo sejam precárias.